Amores muito possíveis

As personagens masculinas e femininas não fogem muito dos conflitos básicos de desenvolvimento da trama: amor/paixão, família, dinheiro/ambição. Se o gênero do personagem for masculino ou feminino isso terá diferença fundamental nos principais conflitos a serem desenvolvidos isso porque em geral se o personagem for homem o principal problema será dinheiro/poder, depois virá o conflito  amoroso e talvez junto o conflito familiar. Se for mulher o principal conflito passa a se dar no campo amoroso, podendo ser no amor familiar ou no amor com o parceiro, depois poderá haver, ou não um conflito envolvendo poder (no trabalho, empresas da família, etc). Afinal os grandes dramas da humanidade são mesmo amor, família e dinheiro, né?

E daí temos uma personagem feminina com um drama amoroso e familiar sendo muito bem defendida pela Suzy Rêgo (que a internet toda já brincou que pode fazer um filme sobre a vida da Dilma). Acontece que acham inverossímil a forma como a personagem defende o marido e aceita o relacionamento extraconjugal dele e consequentemente a sua bissexualidade. O texto, e a interwebs, só faltou chamá-la de corna mansa.

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Eu noto uma tremenda confusão sobre bissexualidade e homossexualidade e relações não monogâmicas. Mas boa parte da culpa disso é do texto que não deixa claro o tipo de relação que Claudio e Beatriz tem e a falta de um núcleo próprio para Beatriz que seja extra-família. Um núcleo com trabalho, amigas, algo para que ela pudesse viver que não orbitando em torno do problema, mas… Beatriz trabalha com Cláudio… puxado.

Ademais o texto da novela  trata a bissexualidade como se fosse o casso de um homossexual enrustido, como se fala lá, quando na verdade o bissexual sente desejo e amor pelos dois sexos. Ademais não é impossível que alguém ame duas pessoas ao mesmo tempo. Isso acontece milhares de vezes todo dia por aí mas ninguém comenta nem o Tio Mark deixa postar esse status de relacionamento do feissy, e isso não tem nada a ver com baixa auto estima, são só as diferentes possibilidades de amar.  A repressão social não deixa que se comente os diferentes tipos de relacionamentos abertos (cada um tem o seu ponto de equilíbrio) mas isso não quer dizer que eles não existem e que as pessoas não são felizes, tem libido e auto estima elevadas.

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Sendo assim reduzir a personagem da Suzy Rêgo de uma mulher que ama o seu marido, vive feliz com ele, é equilibrada (e por isso passou a ser chamada de chata, notem que todas as pessoas equilibradas são chatas) a uma dona de casa desesperada para manter o marido e sem amor próprio é muito pouco. Torço pelo triângulo amoroso e espero conferir mais na novela, mas novelista é igual juiz, nunca saberemos o que  virá.

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3 ideias sobre “Amores muito possíveis

  1. Não acompanho muito a novela mas dia desses comentaram exatamente essa questão dos dois personagens, e não vou mentir fiquei confusa porque até nas chamadas da novela e falando do personagem do Mayer antes de começar todos diziam que ele era homossexual e num casamento de fachada e coisa e tal… Mas aí que a estória não é bem essa né? “na prática” da novela ele é bissexual só que a não acharam pertinente colocar isso de forma clara e é isso que me incomodou, e as pessoas que me contaram do dilema veêm tudo como uma questão do cara não sair do armário e que a esposa de forma alguma é culpada por não dar um pé na bunda dele porque como pooooode alguém aceitar um relacionamento não monogâmico, como se mais importante do que o sentimento entre as personagens é o ser monogâmico. Mas quem sabe isso não sirva para levantar o tema, quem sabe um dia não vai ter uma família poliamorista que não seja retratada como alienígena na mídia. Um dia, talvez, quem sabe…

  2. Adorei o comentário, Rosa.
    Mas olha, poliamorismo mesmooo assim, na rela na tv, demora uns séculos rs, mas já teve Juba e Lula com Zelda Scott em Armação Ilimitada e aquele seriado com a Maria Flor, inspirado nos quadrinhos que eu esqueci os nome, que ela tb tinha 2 namorados. As mulheres sempre na frente <3

  3. E então… eu concordo muito contigo, quando você fala da falta de um núcleo próprio para a personagem da Suzy Rego. Ela é, basicamente, um apêndice do marido. E só aparece em cenas com ele. Cê tem toda razão.
    Quanto ao relacionamento, concordo menos: acho que ficou bem bom assim. Eles parecem um casal com conflitos, mas que se ama de verdade. Um casal em que ele tem também um namorado. Tá definido, pra mim. 🙂
    Beijo!

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