Desejos, deseja.

O certo é que o máximo seria um “bom dia”. Com alguma sorte conversaríamos sobre o tempo, o sol, a chuva, o inverno. Mas o fato, ah, o fato, era que bastava isso para me molhar, para me fazer sacolejar pernas, sorrir, pensar em luxúrias múltiplas, em pé, deitados, na cama, no chão, no chão da sala, no chão de terra, no lavabo de alguma festa, no escuro de alguma rua, lua, possibilidade, motel barato de quem vai a pé.

 desejos

O que ninguém tem o direito de tentar normatizar é isso. Isso, o desejo. Ele é meio que febre, ela é rouca, também, porque grita alto. É ele e é ela. E como diriam Paula e Bebeto, qualquer forma vale. A maior conquista política da humanidade será está, a de deixarem de normatizarem, regulamentarem, esquadrinharem desejos. Essencialmente os de carne. E osso. Um rebolado mais forte, uma raiz de cabelo preta num cabelo louro, um umbigo a mostra, uma tatuagem de tornozelo, um seio vesgo, uma saudade, uma barba por fazer, uma barba feita, uma vagina depilada, outra peluda, muito, muito peluda. Um pau torto, uma pinta na bunda, uma declaração de amor evidentemente suspeita, uma forma de beijar, um doce e, quem sabe, só aquele jeito de beber água mesmo.

Os muito românticos, mesmo o que se dizem libertários, gostam de afirmar que o sexo é a melhor cousa do mundo. E aí inventam redenções, romances de final feliz, trepadas de cinema.  A melhor cousa do mundo é o desejo. Porque é nele que temos o cheiro, o perfume, o gosto, a forma, o conteúdo todo que nos faz gozar melecas. O desejo, este sim, é o que precede e nele, nele não há parques sem árvores. Se pode morrer de desejos, mas não se pode viver sem eles. Simples e simples assim.

E quem sabe desejos, masturbando ideias, desenhando quadros, construindo roteiros: um pornô com história! Lá vamos nós imaginar as cenas que serão vividas em algum lugar nosso mesmo. Quem sabe até entre aquelas curvas todas, daquele corpo todo. Me arranha. Só mais uma vez.

“Bom dia.”

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