Um conto de fadas que não acaba

Era uma vez uma menina que sonhava. Com grandes feitos, com lutas contra o mal.

Ela tinha ouvido histórias contadas pelos antigos. Histórias dessas lutas, e sabia que muita gente tinha sofrido, tinha sido presa e torturada por conta delas.

A menina com a cabeça cheia de sonhos alimentava esses sonhos com livros. Muitos muitos muitos livros. Os livros eram um mundo que a acolhia: quando o mundo daqui se tornava por demais doloroso e estranho, ela mergulhava sem escafandro nem garrafas de oxigênio no mundo dos livros.
Mas lá ela tinha guelras.
O mundo dos livros era familiar e mágico, aconchegante e estranho. Mas uma coisa – ela bem sabia – era certa: ele sempre estaria lá. Quando tudo mais não estivesse, sempre haveria o mundo dos livros. E para lá ela poderia fugir, lá ela podia se refugiar.

(esperem aí que eu vou buscar um café e conto mais.)

Pois então. Teve aquele dia. Em que um personagem do mundo dos livros apareceu no mundo de cá. E foi como Monteiro Lobato, que sabia das coisas, conta, quando os personagens do País das Fábulas resolveram visitar o Sítio do Picapau.
meio bagunçado.
De repente a fronteira se esgarçou, as brumas se afastaram e os dois mundos se encostaram.

Mas isso não pode.
(ou tão pouco).

A gente de verdade pode ir no mundo de lá – contanto que crie guelras.
Mas os personagens de lá…. é melhor, quem sabe, que fiquem lá.
Eles não fazem de propósito.
Eles acham que são gente como a gente.
Não são.

A gente torce para que tudo “dê certo”. Pra que caminhos que constroem novos sonhos e recuperam antigas esperanças se firmem e se concretizem no mundo de verdade.
A gente tá perto, olhando, querendo que dê.

Mas com cuidado.
Devagar.
Sem esquecer
que a gente é daqui.
Que eles são de lá.
E que os encontros podem até acontecer.
Mas tão pouco.

(e é por isso que o conto de fadas não acaba).

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

2 ideias sobre “Um conto de fadas que não acaba

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *