Desconexas Considerações sobre a Alma Biscate

Desconfio sempre, em cinco minutos de amasso com você e pronto: ejaculo, gozo, meleco, molho. Esta precocidade tem a ver com várias e várias facetas, orgânicas, psicológicas, mundanas, ansiedade, desejo, pressa, vontade. Uma variável ampla, assim como o jeito que te tiro a roupa, peça por peça, só de te olhar. Ou de te ler… te ouvir. Sempre penso que talvez meu pau seja muito pequenino e por isso o sangue circula mais rápido, denso e pronto, não me seguro e é isso. Ou que tenho medo deste mesmo pau pequeno não te agradar e no medo, encabulo. E gozo. Desconfio sempre.

Mas me lembro sempre que depois não é assim, tão rápido. Até porque hoje eu já sei certas trilhas tuas, caminhos teus, ruelas e vale, em você, teus seios, o jeito que gosta da língua lá, bem lá, no grelo falante que te decifra. Decifra, na ponta da língua. E de dedos. E que, de repente, estamos lá nos tocando, masturbando, chupando, cheirando, fodendo, lambendo, devorando, tanto verbo que já recomeço, meço, manejo, meto. Desconfio então que talvez não seja o tamanho do pau e, sim, o tamanho do desejo.

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Você outro dia, nua, nua de tão linda, me disse cousas. Que era melhor não expressar certos tesões – dizendo em códigos todos eles – que depois a gente pode ficar encabulado. E pronto, novos verbos, todos eles querendo nos foder, aos gritos e murros dalgum beiral qualquer. Ou o joelho no chão. Ou sei lá. Ou o silêncio, de uma trepada que prefere calores a exuberâncias, como que rima de verbo com substantivo, adjetivo com advérbio, verdade com mistura. Te cheiro, sabia? E gosto, gosto quando estás com perfume. Mas gosto quando está sem… Tem cheiro nosso ali, tem cheiro nosso ali…

Vou confessar… Você descalça e eu tenciono. Pés sujos de chão, de parque, da praia, pés de gente descalça. E lembro que descalça você rebola mais, remexe mais, me encanta mais. Tesão em pés sujos? Você ri. E teu riso, caralhos voadores, me excita como uma semana inteira de sítios de fotografias de mulheres nuas, mulheres mulheres, de carne, osso, cheiros e pés sujos. Outro dia já me imaginei dentro de você do avesso. Cousas de pensamentos tórridos, torpes, insanos, malucos, sequiosos, teus dedos todos me comendo.

Enfim, às vezes desconfio que em cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco, trinta minutos, horas, dias, anos a gente vai se vir e meter e gozar e conjugar verbos e fazer rimas e errar grafias e espiar corpos e expiar outras cousas.  Às vezes acordo com tanto tesão que passo loucamente a te procurar, com minhas mãos. E fico ali gastando bronha com tuas fotos, teus sorrisos, teus textos, teus bilhetes, teus recados cifrados, tuas conversas clandestinas, tuas roupas molhadas e enfim, tuas coxas.

Sei lá, essa alma biscate encanta serpentes.

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14 ideias sobre “Desconexas Considerações sobre a Alma Biscate

  1. De todos e tantos e deliciosos textos seus aqui e ali, Fernando, suspeito que esse vai ficar sempre entre meus preferidos. Pelas precisas frases. Pelo ritmo. Pelo que faz suspirar e querer. Pelo que me torna, um tantinho, imprestável para ler outras coisas menos aliciantes. Pelo que se desnuda e insinua e, quase, promete. Pelo que está e pelo que não está dito, mas pode ser vislumbrado no canto mais escuro do quarto, da alma, do querer.

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