Quanto ao desafio da maquiagem

Por Daniela Andrade*

Apoio todas as mulheres que podem, que querem, que decidiram fazê-lo. Apoio a luta contra a manutenção de padrões de gênero que punem as mulheres, as diferentes mulheres, em diferentes aspectos.

Apoio a luta contra a camisa de força de gênero que decide, que dita de que forma se faz uma mulher. E uma mulher precisa estar sempre adequada aos padrões da indústria da beleza – decidiu a sociedade patriarcal.

Posto isso, digo que nada disso deve significar impor que quem não pode, não quer, não se sente à vontade sem maquiagem deve ter sua identidade invalidada, deve ser apontada e ridicularizada, deve ser instada como se aqui estivéssemos falando de alguém inferior.

A mulher que usa maquiagem, seja por qual motivo for, deve ser tão respeitada quanto a que não usa, seja por qual motivo for.

É triste ver uma guerra instalada em situações em que se as partes estivessem dispostas ao diálogo, sem ver a outra como inimiga, as coisas se ajustariam. É triste ver como há pessoas que precisam inferir que a violência que sofre é muito maior para invalidar a violência que a outra sofre, como se houvesse realmente esse termômetro que diz qual sofrimento deve ser considerado mais sofrimento que os outros.

Eu posso fazer a minha manifestação contra opressões sem agredir nenhum grupo historicamente discriminado e sequestrado em seus direitos primários.

PS. Sobre esse desafio já publicamos aqui no Biscate “A Loucura da Beleza” de Karen Polaz e tem post no Blogueiras Feministas: Desafio sem make: desafio para quem? e no Lugar de Mulher:  Por que eu não participei do Desafio Sem Make

daniela andrade*Daniela Andrade é uma mulher transexual, membro da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/Osasco, diretora do Fórum da Juventude Paulista LGBT, Diretora da Liga Humanista Secular, que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou.

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