Como se o pecado alheio fosse nosso…

Um pecado tudo isso.

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É um pecado, mesmo, a gente usar nossos deuses e crenças para fazer picuinhas. Porque aquilo que é nosso, dentro da gente, nossa crença mesmo, é, essencialmente, a gente mesmo. Cada um tem seu deus – ou deusa, o meu é uma deusa – interno. Ele mora em mim, como na poesia de Caeiro, Pessoa.

É um pecado, mesmo, porque quase nunca a gente está feliz. Porque a culpa e eu não bebo mais, não fumo mais, não como mais, não faço mais, não dou a bunda mais, não gozo mais na cara mais, porque ou é feio, ou é pecado, ou é feio e pecado. Porque a fé caminhando como um exercício diário da culpa só nos leva ao paraíso. E o paraíso, sabemos todos, é aquele lugar que pode ser. Não é, ainda não é.

Não. Não quero dizer aqui e ali que não é para crer, temer, respeitar. Se isso tudo faz bem, como a rotina para a criança, como o amor quando é  substantivo, não posso e nem quero julgar, ter, negar. O problema é outro. É esta mania de querer levar todo mundo junto, como se o pecado alheio fosse nosso e a redenção dependesse essencialmente da alma a ser credulizada. Os bárbaros precisam ser vencidos para que todos tenhamos o reino prometido. Porque não deixamos, ora pelotas, que os bárbaros queimem na chama do juízo eterno, se o tal do livre arbítrio é isso mesmo? Não, eu não entendo este “fiscalismo” do rabo alheio, essa jardinagem no quintal do outro.

“Ah…. mas e se as ervas daninhas estiverem a destruir o meu jardim?” Então, vamos lá, neste caso extremado, vamos lá convidar o vizinho para um chá, tosar ou queimar umas pontas que insistem em invadir o acolá. Mas só, porque o respeito é essencialmente isso.

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É um pecado, isso sim. Que novamente e novamente sejamos todos moedas de troca nesta engrenagem estapafúrdia que funciona na base do medo e de pecado, da culpa. E em nome de sei lá qual deus, esse um que não é meu, nem seu e que acaba sendo de ninguém.

“Mas não ia ser legal se ao invés de um jardim para cada um a gente tivesse um parque, para todo mundo?” Seria, mas neste caso só há sentido e razão, da prática e da outra, quando todo mundo pelado, pelada. De outro jeito qualquer, o tal do parque ia ser só um resort: um empreendimento imobiliário pretensamente divino.

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