Sobre Ontem a Noite

noite

Oi, amiga…pode falar? Sim, eu sei que você sempre me escuta, mas é tão cedo. Não, eu não dormi ainda. Deixa eu te contar. Ontem fui àquele bar, aquele que toca blues direto e tem decoração com cinema dos anos 30 e 40. Pois é, também adoro aquele lugar. Tava, tava cheio. Eu fiquei de papo com o pessoal da sinuca, todo mundo elogiando meu corte de cabelo, nunca pensei que ia ser essa revolução. Se soubesse tinha feito isso antes, né. Hein? Sim, ela estava lá e perguntou por você. Affe, não sei porque vocês não se arrumaram ainda, tá na cara que ela também está a fim. Tá, deixa pra lá. Enfim, eu ia te contar é que  nessa hora aí ele chegou. Sim, aquele. Você sabe que basta olhar pra ele pra minha calcinha ficar molhada. Lembra que te contei quando a gente se conheceu? Foi naquela festa da barraca de praia. Foi quase. Só lembro da gente dançado quase sem música, naquele fim de festa, nem era mais dança, né, a gente só se roçava, aquela mão enorme e quente passeando nas minhas costas, agarrando meu rabo, a outra segurando minha nuca pra eu não desviar os olhos dos olhos dele, eu sentia os mamilos tão duros que chegavam a doer…ai, tá vendo, já estou ficando com tesão. Aí, depois, aquele moço sem sal veio dizer: ah, cê acha que ele é homem? nem pau ele tem. Dá dó. Amigo, se você acha que sua masculinidade tá no funcionamento do seu pênis que pequeno que é você. Alguém devia contar pra ele que tem sexo sem penetração, né? Mas, enfim, eu tava falando era do meu gostoso. Ele ontem chegou naquele jeito festeiro e zuado. Mas um zuado tão delícia. Lembra aquele dia que a gente se cruzou na entrada do cinema? um monte de gente passando aí ele veio se chegando, se chegando, conversando abobrinha, tocando e, quando vi, eu estava encostada na parede, ele com a perna bem entre as minhas, esfregando pra cima e pra baixo, brincando com a ponta do meu cabelo e me contando sei lá o quê. Quando ele foi embora eu era incapaz de reproduzir uma única palavra do que ele disse, mas poderia descrever minuciosamente, em um tratado de 200 páginas, o que significa desejo. Ai, amiga, eu só queria esse homem em cima de mim. Por horas. Dias? Aquelas mãos, aqueles dedos, aquela língua…Affe, até desconcentrei. Assim eu não termino de contar nunca. Então, ele chegou e foi falando com o pessoal, eu não desviava os olhos. Até que ele me viu e acenou com a cabeça. Puto. E ainda deu aquele sorrisinho de canto de boca que eu acho uma glória. É claro que todo mundo adora o safado e, daqui a pouco, já estavam chamando pra nossa rodinha. Vontade de correr. Pra cima, claro. Ele veio, bezadeus, que saúde. Foi cumprimentando as pessoas, dando beijinho nas mulheres, aí sabe o que o sacana fez comigo? Não beijou, nada disso, pegou aquele queixo maldito dele e ficou esfregando no meu rosto…no rosto todo, mulher! O queixo dele na minha face, na minha boca, nos meus olhos…eu só faltei gemer alto. E a mão dele “sem querer” esbarrando nos meus peitos. Sei, sem querer. Eu, pelo menos, queria mesmo. Inclinado pra mim, tudo que ele queria me dizer tinha que ser ao pé do ouvido, desde perguntar se eu queria mais cerveja até dizer que tinha gostado do meu cabelo curto porque minha nuca à mostra era sensual como seu eu estivesse nua. Eu, puta. E excitada. Ele tirando meu prumo com a voz tão rouca. Daí ele disse que tinha muito copo na mesa e passou a beber do meu copo. Foi sexy, sabe? Que boca aquele homem tem. Ms, né, nem fode nem sai de cima: não trabalhamos. Pensei eu, com meus botões – que, pelo meu gosto, já estariam todos desabotoados – que daquela dança eu sou professora, né. E em uma vibe Vandré, resolvi que quem sabe faz a hora. Para de rir, mulher, eu por acaso fico rindo quando você tá contando das suas moças apaixonantes? Tá, fico, mas deixa eu contar do meu moço delicinha. Então, estava lá aquele clima, roça daqui, roça dali, a gente bebendo no mesmo copo, aí eu me viro e sussurro: tenho uma coisa pra você. E vou pro meio da pista de dança, né, meia luz, muita gente. Sinto o olho dele pregado em mim. Vou dançando e descendo a calcinha. Foi, no meio do salão. Rá, sou louca, cê jura? Ah, não dava pra notar muito não, eu estava com aquelas saias longas, bem soltas, só se alguém estivesse prestando atenção. E ele estava né. Cara, foi bom. Só de pensar no que eu estava fazendo senti meu corpo quente e pulsando, todo pedindo toque, pedindo língua, pedindo…Com a calcinha morna em uma mão cheguei perto dele (sim, minha perna tremia, mas nem sei se de nervoso ou de tesão) e com a mão livre peguei o copo de cerveja e bebi assim, deixando molhar o lábio. Né. Lambi, naquela vibe vulgar sem ser sexy e deixei a calcinha no colo dele – não sem antes dar aquela passada de mão nas coxas. Cheguei mais perto e disse: estou precisando de carona, você vai ficar mais tempo ou quer ir lá em casa me foder? E dei uma fungada no cangote, porque, né, nordestinamos a biscatagi. Menina, juro pra você que ele gemeu nessa hora. Hein? Ah, você acha que eu não dormi ainda por quê? Veio, veio. Agora estou aqui, ouvindo Chico e pensando que não vou te tempo de escrever o post do blog hoje, cê pode me cobrir? Brigadinha, viu? Beijo, beijo.

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