Seriam as feministas super mulheres?

Adorei esse post da colega biscate, Sara Joker, mas esse comentário da Danusia no post mexeu muito comigo:

“(…) mais uma consideração… tem uma coisa que ainda me incomoda muito no discurso feminista. Vejo as feministas publicando textos lindos na internet, lindos mesmo… Mas todas elas dizem que são super bem resolvidas sexualmente. Todas. Acho que ainda não li nenhuma feminista insegura na cama. Pois bem, eu sou. feminista, e nem um pouco bem resolvida, em VÁRIOS aspectos da minha vida. o que não me faz nem um pouco menos feminista. E já tive sim vários problemas de ser rejeitada por ser gorda. VÁRIOS. Sendo gorda me tornei invisível pro homens.”

Mas achei que minha resposta ao invés de comentário devia virar post.

Sempre me defini como feminista desde que conheci o feminismo lá nos idos de 80/90 mas encontrar esse grupo de mulheres feministas pela internet e depois tê-las também na vida offline mudou bastante a minha vida.  Não sou a mais militante de todas, mas manifesto minhas opiniões sempre que possível, visando explicar o quanto o mundo ainda é machista e porque precisamos do feminismo (um parêntesis de agradecimento ao discurso da minha eterna Hermione) , ou participar de marchas e outros eventos sempre que dá.

O feminismo que vivo hoje é de acolhimento, parceria, debate, questionamento. Desde que encontrei minhas amigas de idéias e ideais me sinto menos só e de quebra tenho companhia deliciosa par várias conversas. Esse tipo de irmandade e comunhão você pode achar também em sua religião, aliás, a sensação de pertencimento e acolhimento é uma das coisas que faz as pessoas frequentarem suas igrejas. Mas isso você também pode achar na militância. Essas sensações fazem bem para autoestima, é inegável. Mas serei eu uma super mulher sempre correta? Longe disso, tanto que adorei o post da Sara e me identifiquei.

Mas o que isso tem a ver com supostamente as feministas terem autoestima aparentemente mais elevada ou serem mais bem resolvidas consigo mesmas e na cama?

Como disse a Luciana, sempre sabiamente (minha gurua) , posso dizer por mim. Olha, feministas são como todas as pessoas, tem medos e  inseguranças, mas no aprendizado diário com as amigas aprendemos todas a ver que somos mais, muito mais, que as mulheres de Nova que a mídia teima em vender (e até mesmo a mídia vem mudando isso: um exemplo são as campanhas da Dove de “real beleza”),  aprendi a curtir o meu  estilo próprio, a ser menos fútil, a prestar mais atenção no próximo. (sobre ser menos fútil, ainda curto coisas lindas, mas foco mais no “ser” que no “ter”) . Consequentemente, a gente encana menos com o corpo, o sexo, as relações amorosas. O foco da vida muda, é mais crítico às demandas exteriores da sociedade, e isso dá leveza.

Veja bem, mesmo com isso tudo o medo de não ser aceita, de ser gorda, de ser feia (verdadeiros monstros na cabeça de uma mulher) diminui muito, quase some, embora    às vezes espete aqui e acolá. Mas temos amigas maravilhosas que botam a gente no devido lugar: o de rainhas de nós mesmas.

Sobre sexo, bom, ao não julgar o comportamento sexual de alguém pelo meu parâmetro (é certo o meu? Certo para mim, não obriga ninguém) também me vejo mais livre sexualmente e com menos medo de ser julgada.  E também fico mais livre, mais livre fico mais segura de mim. São pequenas atitudes que mudaram em mim a partir da convivência com o feminismo, embora eu já fosse livre, só encontrei que não me julgue.

Ademais, é natural das pessoas na internet sempre mostrarem o seu melhor, raramente mostrando os seus defeitos. Talvez por isso as feministas fiquem parecendo fantásticas super mulheres.  Mas observe que mesmo parecendo super,  sempre tem um post de autocrítica, de questionamento e exposição de medos, como o que me inspirou a escrever este post.

Na verdade isso é só fruto de encontrar gente bacana parecida com a gente e que nos apoia. Então o feminismo é autoajuda? Não, mas é também  amizade e suporte. E isso faz toda a diferença.

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