Aborto. Qual é o crime?

E neste final de semana teremos eleições. E mais uma vez o tema do aborto foi tratado de forma clandestina pela maioria das campanhas. Isso é inadmissível. O aborto continua sendo… crime.

No último dia 28 de setembro foi o dia de luta latino americano e caribenho pela legalização do aborto. Todo dia, entretanto, é dia de lembrar que milhares de mulheres morrem no continente por causa de procedimentos absolutamente precários e inseguros de interrupção da gravidez. Morrem. Acabou, ponto final.

A questão principal não é – nem sei se algum dia foi – ser favorável ou não ao aborto. Para esta decisão o importante são as informações, os valores, a cultura de cada mulher. A questão é se a prática do aborto deve ser um crime, punindo com cadeia quem faz e quem realiza ou ajuda a realizá-lo. E é este o ponto que revela toda nossa hipocrisia. Porque todo mundo conhece uma história. Todo mundo conhece uma mulher que fez. Todo mundo conhece. E a pergunta é: esta mulher deveria ser presa?

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Não estou pedindo para que aceitem o aborto. Estamos pedindo para que este deixe de ser crime. Para que seja o serviço de saúde equipado para realizar procedimentos seguros, diminuindo a mortalidade de mulheres por todo o continente. No Brasil. No mundo. Porque a morte destas mulheres resulta no fim de várias histórias, das mulheres, de suas famílias, de suas crianças, de seus pais e mães, dos amigos e amigas, dos sonhos. Porque quando não resultam em mortes podem existir sequelas graves, muito graves.

O sonho da maternidade é um sonho bonito, sem dúvida. Mas não é para todas. E todos. Mas mais do que isso: quando o aborto é ilegal, todo e qualquer procedimento que não o parto passa a ser clandestino ou feio ou inóspito ou triste. Quantas e quantas grávidas não tem o processo de gestação interrompidos naturalmente, por algum problema no feto ou no organismo da própria mulher, alguma incompatibilidade? Quantas e quantos episódios não conhecemos de gravidez interrompida?

E como no serviço de saúde, o público e o privado,  o aborto é pecado, sabe o que acontece nestes casos onde naturalmente houve a interrupção da gravidez? As mulheres são tratadas como “gestantes”. As mulheres são encaminhadas para exames, que vão detectar que o feto não tem mais pulsação, que a gravidez é tubária ou qualquer outro tipo de problema, junto com mulheres que estão indo bem em seus sonhos, com a gestação seguindo firme. E para se fazer uma curetagem, porque é preciso em determinados casos realizar um procedimento invasivo para se limpar o útero, encaminhamos estas mulheres para maternidades, para onde são realizados partos. A crueldade deste tipo de situação é enorme. É triste demais. Na mesma sala de espera… Por causa de um tabu, de um crime.

Aborto seguro. O sistema de saúde, público e privado, preparado para ofertar procedimentos com começo, meio e fim. Com tratamento específico, diferenciado, educado. Com acompanhamento, acolhimento, humanidade. Com informações para se decidir, cada mulher, o mais adequado proceder. A questão do aborto não pode ser vista como um crime.

O crime, sinceramente, é outro. É o da hipocrisia. Lenta e sempre, que mata: vidas e sonhos. Só que este não leva ninguém à cadeia.

 + Sobre o assunto:

[+] O que é aborto

[+] Documentário Clandestinas

[+] 28 dias pela vida das mulheres

[+] 5 Mitos Sobre o Aborto

[+] Aborto é coisa de mulher

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