Preconceito contra rico?

Preconceito contra rico. Isso existe?

desigualdade

Se tem algo que vem me intrigando nesses tempos de debates e animosidades políticas, é esse papo de que rico sofre preconceito. É o homem branco, hétero, cisgênero, classe média/alta, sentir-se discriminado e ofendido quando chamado de “elite”, “riquinho”, “filhinho de papai”. Se sentir excluído por ser identificado com seu privilégio social. Oras, senhores, por favor: poupem-me. Vamos tentar entender o que é preconceito?

Preconceito existe quando alguém é oprimido socialmente. Quando é discriminado por sua condição social, étnica, por sua orientação sexual, pela sua identificação de gênero. É quem deixa de ter acesso a bens e serviços por isso. Quem sofre agressão e exclusão social por não se enquadrar nos padrões vigentes: branco, heterossexual, cisgênero, machista, com grana no bolso. É quem, por ser identificado com qualquer dessas categorias de exclusão social, sofre violência moral e/ou física. Quem deixa de gozar, ter acesso, participar da vida social – capitalista em seus cargos, ocupações, diversões, porque é pobre. Porque é negrx. Porque é gay, lésbica, mulher, transexual. É ocupar um lugar onde você não é igual para viver na sociedade com seus valores e critérios de inclusão. Quem tem pior. Quem tem mais difícil. Quem tem com muito suor e muito machucado na escalada. Quem sofre discriminações das mais diversas quanto tenta chegar.

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Elite, minha gente, é quem oprime. Chamar de elite é reconhecer que x outrx tem privilégios sociais. Qual o problema de se reconhecer os próprios privilégios? Eu tenho. Por ser branca e classe média. Por ter tido acesso à educação, à saúde, por ter nascido numa família branca, com renda – apesar de pouca, de suada, era suficiente para nos garantir uma vida digna. O que muita gente não tem. Não tem dignidade, não tem o que comer, onde morar, como viver ou sobreviver. Não pode comprar, não pode ocupar, não pode acessar.

Nunca vou sofrer preconceito por ser chamada de “branquela”, de “elite”. Nunca deixei de gozar de nada por isso, nunca sofri por isso, ao contrário: só tive benefícios sociais. Como meus benefícios podem ser a mesma causa de preconceito? Não, não são. Sofro preconceito por ser mulher, e por ser lésbica, isso eu sei o que é. Isso já me causou olhares, violências, exclusões e eu chamo de preconceito. Mas, no resto, aceito meus privilégios e, ao olhá-los, quero entender como posso fazer para que todxs os tenham. Ou para que não exista mais privilégio algum, sejamos todxs de fato iguais e com as mesmas chances, oportunidades e benefícios no viver coletivo.

Não gosto de discursos de ódio. Nenhum deles. Se você é chamado de “elite” e não gosta, às vezes pelo tom de desprezo, de raiva etc, não confunda esse sentir com preconceito. É ruim se sentir agredido, e para mim violência não se paga com violência, apesar de entender o que motiva a revolta daquelxs excluídos socialmente e vítimas de tanta porrada, no sentido metafórico e não metafórico da palavra. Mas reflita. Procure ver o que te incomoda. Procure ver poque x outrx se incomoda. Talvez fique mais fácil compreender se puder olhar através dos olhos dx outrx. Nunca saberá o que é sentir na pele, mas talvez possa se solidarizar com a dor de quem é violentado cotidianamente por ser quem é.

Quando a gente trabalha com políticas sociais de inclusão, quando a gente busca a igualdade, ou viver numa sociedade mais igual, a gente tem que olhar a desigualdade. As tantas desigualdades sociais que nos rodeiam. Tem que ver como, politicamente, podemos redistribuir bens e serviços. Recursos, cargos, salários. Como podemos ter negrxs no poder. Mulheres. Gays, lésbicas, transexuais. Como o pobre fica menos pobre. Como ter padrões menos heteronormativos. Menos machistas. Como se faz para vivermos, todxs, com um pouco mais de dignidade nesse mundo capitalista de grandes selvagerias.

Quem defende políticas sociais e de redistribuição de renda não gosta de “pobre”, nem quer que todo mundo “more na favela”, como temos ouvido recentemente. Ao contrário. Quer que todxs tenham mais. Quer que não tenha favela indigna. Quer que não tenha pobre e excluído por sua etnia. Por sua orientação sexual. Quer que não tenha miséria. E, para isso, você “elite”, terá que perder seus tantos privilégios e exclusividades. Você está prontx para isso? Reconhece primeiro, que  dói menos. E, de forma mais coerente, ou trabalha por um mundo mais igual, ou reluta e busca de qualquer modo manter seus privilégios. Mais coerência é melhor. Mais clareza. Mais sinceridade.

A minha escolha será, sempre, rever privilégios e buscar inclusões. Nem todxs estarão do mesmo lado. Democracia não é consenso, e comporta debates e visões de mundo distintas. Mas o papel de “coitadinho” da elite é, no mínimo, cômico – se não fosse trágico, e totalmente descabido. Dito isso, vamos ao debate? Quanto mais amor, mais humanidade e mais direitos humanos garantidos, melhor.

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2 ideias sobre “Preconceito contra rico?

  1. Nunca li tanta besteira na minha vida, fez faculdade de burrice ou já nasceu assim? Preconceito é quando se forma uma opinião sobre algo ou alguém sem sequer se conhecer de fato sobre a pessoa, assunto, ou qualquer outra coisa. Ter um conceito coletivo sobre algo que deveria ser individualmente analisado. Não depende de lógica porca esquerdopata de “oprimido x opressor”. A etimologia de uma palavra e seus significados são isentos de ideologia política, só uma pessoa muito limitada para conceituar algo em favor de uma causa e tomar isto como verdade universal disseminando esta “propaganda” sem nenhuma lógica ou estudo do tema.

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