Vivendo e crescendo

Vejo muitos posts de amigos e amigas explicando suas origens e como isso se relaciona com suas escolhas atuais e quem são hoje em dia e toda vez penso em falar um pouco de mim e de onde vim mas sempre me breco num ponto confuso que é quem sou eu hoje.

crescendo

Sou filha de pais ateus, de esquerda e de classe média plano piloto brasiliense. Estudei nas melhores escolas que eles puderam pagar (meu pai nunca teve carro zero, mas sempre tivemos boas escolas e muitos livros) e frequentei  um clube de elite (clube é a praia de Brasília). Escolhi meu curso – Direito – pra fazer o que todo brasiliense faz: concurso público e ter uma vida estável.

Eu malhava, me bronzeava, comprava ( muito) as roupas das marcas certas, já fui loira e queria ser procuradora. Mas aí veio uma gravidez e tudo mudou. Não fiz a pós e o mestrado que sonhava fazer, não fiz concurso para procurador, mas tenho dois filhos bacanas e lindos. Fui trabalhar em um lugar com muita gente legal e com origens diferente da minha – a maioria trabalhou para pagar a faculdade e não ganhou o primeiro carro de papai e mamãe, como eu ganhei. Gostavam de coisas que eu não conhecia e aprendi a curtir. Aprendi demais lá.

Sempre me defini como feminista, influência do Malu Mulher (juro) e de Simone de Beauvoir e Rose Marie Muraro, que li aos 20 anos. Mas conheci o ativismo feminista na internet e nossa… como mudei!  Menos fútil, menos materialista, menos preocupada com o que pensam de mim, menos insegura. E mais cheia de amigas e amigos que nunca.

Mas parte de mim ainda é a menina dondoca e patricinha que só queria ter sucesso profissional, ser loira e linda e comprar coisas bonitas. Aí me pego pensando em comprar e gastar e ser algo para alguém admirar e o meu outro eu diz: ACORDA! Você quer ser isso por você mesma ou pelo olhar dos outros? E sempre é a tal da aprovação. Aí eu acordo do sonho-pesadelo e dou a volta por cima de mim mesma me relembrando que hoje o ser importa mais que o ter, que me sinto mais completa assim, que quem me ama me ama como sou. Claro que isso tudo a base de muito diálogo interno e muita terapia (recomendo terapia, terapia salva) e quase aos 43 tenho que vir me reformulando e reconhecendo a mim mesma permanentemente. Nunca pensei que chegaria aos 40 e poucos ainda insegura, mas de outras formas, acho que esse negócio de crescer não para nunca né?

 

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