Daquele jeito fácil ou Vai De Buraco Quente

Acho carne moída uma das comidas mais deliciosamente biscates que existe. Dá (ui) pra tudo: pra recheio, pra cobertura, pra comer cru, no ménage do escondidinho, na suruba do mexidão (quase um pleonasmo!) ou pura como prazer solitário. E ainda passeia em todos os salões – desde no pastel do boteco até na massa fina com vinho tinto, num inocente PF pra crianças pequenas ou num chili ardido de fazer chorar.

Fico com a sensação que carne moída tem aquele prazer de sê-lo, apenas. Fácil. Frequente. Democrática e pronta praquela rapidinha apressada. Ai, que delícia, bendita carne moída!

A minha gosto assim: cheia de temperinhos, algumas ervinhas, cebola, tomate, pimentão e coentro. Sim, seus incréus que não gostam de coentro, revejam seus conceitos. Só digo isso.

Quando eu era criança, um dos lanches de maior sucesso no meu colégio de freiras era pão com carne moída. Só mais tarde descobri que o nome disso é “buraco quente”.

Sim, podem sorrir. Também tenho 12 anos.

E foi um “buraco quente” mais metidinho que experimentei dia desses. E antes que digam que gourmetizei a receita das freiras, apenas respondo que a delas faltava-lhe cor.

Tinha que preparar carne pruns 60 sanduíches, pelo menos, naqueles pães franceses dos menores feitos pra gente comer mais de uma vez repetida. Era minha primeira vez pra tanto. Deu até nervoso.

Fiz assim. Comprei uns 4 kg de carne e fui refogando na cebola, alho e sal grosso. Não sei de quantidades, amigues. Sempre acho que a quantidade do que nos apetece a gente descobre mesmo é sentindo, intuindo, provando, até chegar no sabor que melhor agrada. As vezes, prum prato vai de um jeito. Pra outros, um pouco mais. Ou menos. As vezes de um jeito diferente prum mesmo prato. Gosto de botar na mão e ir lambendo, até sentir que chega.

Como era pra muita gente, não coloquei condimentos. Fosse só pra mim, tinha um tico de cominho e pimenta do reino. Mas joguei uns oito tomates picados, seis ovos cozidos também picados e fui deixando o molho apurar. Dá pra colocar azeitona se você quiser. Mas não pus. Na verdade, eu me esqueci. E no lugar do coentro, usei salsão.

Repito: gente que não gosta de coentro. Não entendo.

Quando virou aquele molhão, dei por encerrada a feitura. Aí é servir.

Abra o pão por cima, tira o miolo, mas não todo, recheia com a carne, e está pronto seu “buraco quente”.

Coma feliz.

buraco

Foto dos buracos meramente ilustrativa

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