Expurgos

Fins de ano… Fins. As vezes me parece que reunir frustrações, esperanças e desejos em um momento especialmente preparado para encontros, acordos-desacordos e expectativas seja um trabalho um tanto quanto estóico. Essa “reunião” (confesso já fiz muitas, pois sou desses), não raro, só trouxeram a aparência de um “recomeço” de ano de ilusões e, por isso, de uns anos pra cá, aderi aos expurgos.

Dalí - Sobre expurgos

Dalí – Sobre expurgos

Sim, expurgo. De coisas boas, de coisas ruins, de expectativas não cumpridas, de metas não realizadas (eita parte difícil), mas expurgo. E expurgar não significa, aqui, abrir mão do próprio desejo, mas sim não tentar forçar questões, encontros e lançar expectativas sobre ele apenas porque se está chegando ao “fim de um ciclo” (ciclo de rola é cu, se me permitem a subversão do trocadilho).

Expurgar pra começar leve. Tipo tomar um laxante simbólico… Deixar no fim desse “ciclo” tudo aqui que foi preparado pra ele e, justo por ter uma preparação forçada, não cumprido. E, principalmente, expurgar “metas” que estão sendo repaginadas, pois nunca foram cumpridas. Que, se o fim de ano serve para alguma coisa, sirva para o expurgo das ilusões de que coisas que nunca foram, possam, num dia ainda que longínquo, ser.

Se é que algo recomeça a cada virada de ano, que comece leve… Que cada virada de ano não seja uma nova luta a ser travada para se impor o próprio desejo, mas sim uma forma de reaprender a viver o próprio desejo. Que a virada de ano seja terreno fértil para novas sementes fecundarem e não um bando de pequenas mudas enxertadas em pedra quente. Que o novo ano seja um espaço de livre aprendizado! Como diz o filósofo, “Deixa acontecer naturalmente”, que acontece bem!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *