Muchacha en la ventana: un culo. Una inspiración

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Tenho uma reprodução bastante digna desse quadro em casa. Tão boa que a emolduramos de um jeito lindo, dando a chiqueza que ela merece. Quem olha de longe (e não conhece a origem, obviamente) pensa até que é original. Rá!

“Muchacha en la ventana” (ou “Figura en una finestra” ou “Figura en una ventana”) é uma famosa pintura de Salvador Dalí, de 1925, e retrata Anna María, sua irmã e principal modelo por anos (até que ele conhecesse Gala, sua mulher e musa até a morte).

Eu gosto muito mesmo desse quadro (aí pelo texto botei uns links para algumas rápidas e boas análises artísticas da pintura). Mas, passei a ter um xodó maior ainda quando, uns 2 anos atrás, Lucas, meu filho caçula, afirmou, perguntando:

– Mamãe, é você?!

Na verdade, outras pessoas já me tinham dito isso antes e outras disseram depois: que acreditavam que a retratada fosse eu. Mas, vindo dele, me fez dar mais atenção.

Preciso nem dizer que fico mega envaidecida, ne? “Quem me dera” é o que costumo responder pra quem ainda faz esse comentário. Principalmente depois do comentário do Lucas, acabei indo atrás pra ver se encontrava mais informações sobre a modelo de “Muchacha en la ventana” e qual não foi meu prazer ao descobrir em Anna María uma mulher realmente interessantíssima, interlocutora sagaz e inteligente, de despertar paixões.

Em minhas andanças rápidas pelo Google, encontrei este post, que achei pura delícia, no qual o autor comenta o seguinte sobre “Muchacha en la ventana”:

“El culo es la parte más daliniana del cuerpo. Y este es el mejor culo pintado por Dalí, el de su hermana, en una mezcla misteriosa de belleza comestible y voluptuosidad incestuosa.”

E vai mais além, porque não foi apenas o irmão que Anna María teria encantado. Em umas férias, ela teria conhecido o poeta García Lorca e a partir daí iniciado uma intensa troca de cartas com ele:

“El epistolario Lorca-Ana María es de una ternura deliciosa, con arrebatos atormentados de Lorca. ¿Hubo algo entre ellos? Yo apuesto a que sí. La admiración de Salvador por su hermana sólo fue superada por la del poeta granadino, que la tuvo como diosa de una nueva religión y musa de sus desvelos artísticos.”

Quando ela morreu, em 1989, o jornal “El País” publicou:

“Anna María compartió desde la infancia el universo de su hermano. Entendía sus gestos y excentricidades, e interpretaba su fantasía y tomaba parte en las bromas y juegos, a veces impenetrables, de Salvador. Fue compañera ideal, por su inteligencia aguda y penetrante, y su carácter alegre y divertido. Cuando la conoció Federico García Lorca, en la primavera de 1925, aquella camaradería fue una realidad insólita. En tiempos en que la mujer permanecía, social y culturalmente, marginada del mundo de los hombres, Anna María formaba parte del grupo de amigos y compañeros de su hermano. Fue atentísima testigo de la obra de Salvador y su más asidua modelo de la etapa plástica esencial del pintor de los años diez.”

Pode até parecer que ela ficava ali, orbitando ao redor de gênios, no único espaço que lhe era concedido e que, num primeiro olhar, não era o de protagonista. Mas, considerando o contexto da época e a intensidade de sentimentos e inspirações que essa mulher parece ter provocado, só consigo vê-la absolutamente fascinante – senhora de situações, com esse espírito biscate, moleque, de raiz, que a gente adora! E, finalmente, sendo eternizada por quadros como “Muchacha en la ventana”.

A pintura original está exposta no museu “La Reina Sofía”, em Madri.

PS: Se alguém quiser complementar esse texto, dando mais informações, vou adorar!

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