Quando

por Bianca Cardoso*, Biscate Convidada

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Quando acordo e te vejo de costas, ali dormindo nesse nosso colchão no chão, dá vontade de desenhar nas suas costas com a língua. Sobe um desejo de abraçar teus ombros e te acordar com mordidas na orelha. Você de costas é um convite para sentir teu coração no peito. Te puxar de barriga para cima e me aninhar por algum tempo, corpos roçando, pernas e pêlos misturados, me encaixar no teu morno e pensar que às vezes mentiras podem ser verdades por alguns minutos.

Quando acordo e te vejo de barriga para cima, você sabe que não resisto a subir em você, começar a beija-la do umbigo até o queixo e de volta até a buceta. Sempre tenho mania de te acordar, porque você sorri ao me ver ali querendo mais. Agora tenho você, nessa casa vazia, com o tempo que temos para sermos duas. Dali a pouco sei que tudo vai acabar, mas agora só meu corpo nu, pedindo você.

Somos nós aqui outra vez, você disse. Porque é mesmo improvável esse nós, porque apesar de nos beijarmos tanto e dormirmos tão bem juntas, amanhã é outro dia e não há nós todos os dias, nossos dias correm ao sabor da água salgada que corrói as cordas.

Sempre preferi as manhãs para transar, porque assim o resto do dia fica mais tranqüilo, porque saio com o sol no rosto e nosso cheiro ainda grudado no meu corpo. É quando gozo no seu ouvido, quando você enfia seus dedos bem fundo e eu dou aquela paradinha sem ar com o rosto entre seus seios. É quando nossos corpos caem suados e entorpecidos. É aí que eu te beijo com mais desejo e cumplicidade. Sempre estamos juntas aí.

10478212_885847744762498_1294414712196997681_n*Bia Cardoso teve uma curta carreira de escritora erótica entre 2005 – 2007. Esse texto é dessa época, quando ela ainda nem pensava no gozo de hoje. É autora do Groselha News e pode ser encontrada no twitter como@srtabia.

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