Sem Coração

Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Esse da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.

Hilda Hilst

sou tua

Arrumei as malas vagarosamente. Você estava há horas trancado. Bati com força e gritei:

– Preciso pegar minhas coisas nessa porra desse banheiro.

– Você é uma puta sem coração – você gritou de volta. Eu ri. Você riu em ecos e abriu a porta. A primeira coisa que notei foram seus olhos vermelhos. A segunda que estava nu. De pau duro. Tinha tomado banho e senti o cheiro dos meus shampoos e de meus perfumes. Ri novamente. Cruel e cinicamente perguntei:

– Vai sentir saudades de mim, baby?

Então você me puxou com força para seus braços. Gemi quando senti seu pau entre minhas coxas. Foi como uma senha, um sinal, uma ordem para que rasgasse com força meu vestido e me deitasse no chão frio do corredor. Pensei em ódio. Mas foi doçura o que senti quando você beijou meus cabelos, meus ombros, minha boca. Meus seios. Com uma delicadeza quase sufocante tirou minha calcinha e quando ela chegou aos meus pés, foi a partir deles que começou a passar a tua língua, primeiro entre os dedos e subindo por minhas pernas, atrás dos joelhos, no meio das minhas coxas. Quando sua boca chegou na minha boceta você interrompeu o óbvio, abriu minhas pernas e colocou-se sentado entre elas. Me olhou nos olhos enquanto enfiava um dedo em mim.

– Eu quero que você goze na minha mão.

Com mais força, enfiou. Dois. Três. Novamente. Rapidamente. Obedeci e gozei, molhando suas mãos e dedos. Você espalhou líquidos em minha barriga para logo depois lamber-me. Ainda sentado, aquela inclinação sedutora da cabeça. Com que urgência eu lhe quis naquele momento. Então cavalguei, colocando suas mãos nos meus quadris, pedindo para me puxar em direção ao seu pau.

– Goza, sua puta sem coração – sua ordem.

Obedeci e gozei novamente. Fiquei de quatro, joelhos no chão duro, cara virada para olhar e pedir:

– Come minha bunda. Enfia seu pau no meu rabo agora.

Você, com força, zelo, tesão e todas as nossas perdas, história e saudades futuras, me fez gritar:

– Mais, mais, mais, me fode, me fode, porra. Mais. Assim, assim, assim….

Suplicar:

– Bate, bate com força, mais, mais, mais… mais… come gostoso meu cu.

Declarar:

– Eu vou gozar. Eu estou go….zan…do, caralho. Agora… a…go…ra… a…go…ra…

E você gozou junto comigo. Fora de mim.

– Puta sem coração – sua voz ainda uma última vez enquanto amorosamente espalhava seu gozo em minhas costas.

Puta sem coração. Fui embora sem olhar para trás. E nunca mais voltei.

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