Ela, Ele

coragem

Era uma vez uma coragem. Tantos contrários. O dia e a hora. Ele, menino ainda. Ela, já tanto. Ele, reserva. Ela, escândalo. Ele, pensamento e ela, um grito. Ele, a caminho. Ela, a própria estrada. Não era tempo, sabia-se. Porque eram deste tipo: de saber. Pensavam, claro. Ela dizia: não, não, não, em noites de querer tanto. Ele? Ela não adivinhava, mas ele dizia os miúdos e se perdia nela, sempre. Ela, rubor. Ele, velho tênis e calça desbotada. Não era agora. Claro que não era. Apesar das flores e das letras tantas. Ele, olhares distantes. Ela, olhares pra dentro. Mas, se havia o querer. E havia. E havia. E tantas palavras fazendo carícias. E letras como línguas. Ela se pôs a caminho. Ele se pôs, apenas. Em esperas? O branco macio do abraço quase ofusca. Ela não diga que não se assustou. Pois sim, quase corria. Mas era uma vez uma coragem e ela ficou. Ele, arisco. Ela, esquiva. Não era lugar. Mas havia o querer. E havia mão que encontrava outra. Não pode. Não deve. E o querer? Havia. E mãos que viravam bocas e também se sabiam. Queriam. E havia ainda o refúgio das palavras e eles faziam de conta que. Que não era nada. Que não era demais. Que não era querer. Que não era. Era uma vez. Uma vez não conta. Era uma vez. Uma vez não conta. E seguiram. Como se nada. Como se não tivesse existido a coragem. Mas as estradas ficaram mais largas. E os caminhos mais curtos. Ela, mais menina. Ele, mais um tanto. E a distância virando pergunta. E a pergunta virando desejo. E o desejo, de novo, coragem. A coragem pede andança. Nem sempre ela vai, às vezes ela é o próprio atalho. E se despe, lenta, peça por peça, enquanto escreve, descreve. Ela, nua. Ele?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Uma ideia sobre “Ela, Ele

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *