Música de molhar a calcinha

Ensaio "Beleza Real". Foto de Bárbara Heckler.

Ensaio “Beleza Real”. Foto de Bárbara Heckler.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E nessa polêmica toda de “50 Tons de Cinza” estava era me lembrando que os livros têm trilha sonora. Se não me engano, fãs compilaram tudo, numa seleção clichê que inclui até “I’m on fire”, do Bruce Springsteen. Claro!

Mas, ó, nem critico, não. Provavelmente, é a menor das questões da trilogia. Sem falar que, né, este texto aqui também está beeem provido de lugar-comum. Inclusive, minha dúvida no momento é: tem como música de molhar a calcinha fugir tanto assim do obvio? Mesmo que você me apresente aquela canção delicinha de uma banda indie norueguesa, pode mesmo ser melhor que “Lets get it on”?

Ouquei. Admito que estou falando de trilha sonora de motel, que já provoca formigamentos pelas obvias ilações que sugere. Bota aí as de Sade, Nina Simone, Marvin Gaye, Al Jarreau, Billy Paul, que molho a calcinha com todas as versões algo meio cafonas de “Your song“. E seguindo o fluxo, há quem molhe com Astor Piazzolla e Gerry Mulligan e outros com Bryan Ferry, por quê, não?

E há quem alucine com “Besame Mucho“. Adoro demais “Samba para ti“, do Santana, mas, piro mesmo é com “Fogueira“, de Rô Rô. E o que dizer de “Tatuagem“, especificamente com Elis? Ou “Ne me quitte pas“, com Maysa, que é de fossa, mas pra mim de sexo?

Cartas de amor são ridículas. Será o tesão igual?

Eu tinha muito siricutico sublimado quando dançava música lenta nos bailinhos da turma do colégio. E aquele negócio de o menino passar a mão nas costas, a dança inteira, só no alise, e a gente ir se chegando, esbarrando os quadris e a parte de baixo de quando em quando?

E quando a dança deixava de ser dança e virava mesmo um abraço e uma carícia entre o cabelo e o pescoço, ainda mais com salão escuro, segundos antes do beijo, que nem sempre vinha, as vezes era só o sarrinho acanhando e um cheiro no cangote? E era bom. Bom mesmo.

Duvidar, sou capaz de sorrir safada até hoje se ouvir “We’ve got tonight“, que fez parte da trilha sonora da novela mais bafo do meu comecinho de adolescência. E a vozinha atrevida que soltava aos 11, 12 anos, quando cantarolava, me fazendo de distraída, sussurrando no ouvido do coleguinha “wo-ho, let me see…”, que só anos mais tarde descobri que era mesmo “from all that we see”?

Porque, né. A gente entende o que dá conta de entender. E fala o que convém na ocasião, fazendo o maior virundum malicioso dentro daquela ingenuidade toda. Eu nem sabia direito o que queria “see”, mas o “let me” saia assim, com sorrisinho nervoso de canto de boca, num pedido espertinho escondido no verso equivocado da música. Sim, amigues, sou das antigas. Já molhava a calcinha antes mesmo de vocês terem nascido.

Enfim, a maioria disso tem um cenário, uma lembrança, uma pessoa no meio ou várias. Mas, também tem aquela música que a gente se arrepia só de ouvir, do nada, não porque lembre alguém ou alguma situação, mas pela canção em si. Não tem?

Tem uma que me enlouquece, pela música mesmo, por essa interpretação maravilhosa. Tesão absoluto. Nem tenho memória específica de nada com ela, de primeiro namorado ou transa épica. É que acho a música fodástica (ui!) de verdade. Bom, se bem que tem esses dois juntos, lindos, tesudos, cúmplices, se querendo. É. Tem isso.

Como não gosto de complicar e posso ser bem evidente nas historias, e esse texto aqui é sobre obviedades, afinal de contas, minha melhor música de molhar a calcinha é esta! A de sempre. A de muitxs. Porque nessa vida, minha gente, tudo o que é gostoso começa mesmo é com Chico Buarque de Hollanda.

Segura essa, Christian Grey!

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12 ideias sobre “Música de molhar a calcinha

  1. Sou óbvia tb mas em outro sentido.
    Robert Plant gemendo me deixa com tesão.
    AC/DC e a música de strip, The Jack.
    E Roberto Frejat cantando “porque que a gente é assim?”
    ai.

  2. Não sei nem por que ninguém mencionou a mais óbvia de todas (na minha modesta e molhada opinião), também do Marvin Gaye, Sexual Healing.
    Pra mim era tão óbvia, tão, sacana, tão excitante que durante anos eu tive vergonha de cantar em voz alta, acompanhando o disco, se tivesse qualquer pessoa por perto.
    Tenho lá a minha lista também, se virar série, me avisem. 🙂

  3. aaaah, tantas lembranças haha

    A música da minha primeira vez foi A Whiter Shade of Pale do Procol Harum (sim, meio aleatório). Na época (menininha bobinha apaixonada por um cara 20 anos mais velho) achei tudo lindo e romântico, hoje, dependendo do dia, me parece breguice. Mas guardo com carinho.

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