Porto de chegada

mulher nua no mar

Então eu amanhecia, no colo do amor que me deitava o peito. Esse amor trazido pelo rio da vida, pelas águas que me banharam o tempo. Pelos gostos que senti, pelos caldos que levei, por todas as faltas de ar que me calaram a voz. Corredeiras. Tempos submersos, tempos de sol, tempos de medo, tempos de plantio. Meus tempos. O tempo do amor plantado no meus pés quando tudo era água, e tudo escorregava. O tempo da desova. Rio que encontra o mar. Águas salobras. Terra fértil fecundada pela maré dos meus anos.

 O rio me trazia o merecimento de um porto de chegada.E eu chegava, onda por onda, vento por vento, até sentir-me inteira em solo firme. Corpo de areia, pés fincados à beira mar. Com as mãos abertas e o coração leve, eu chamei por ti. Ali, onde me via terra, onde sentia a liberdade de poder voltar para mim, eu te procurei. Chamados de vento que te balançaram os cabelos.
Ecos, reverberações. Envolta nas marolas que embalavam os sonhos tão despertos de nós, você chegava. Seu rosto reconhecia o meu, seu corpo fazia morada no gozo das nossas bocas unidas. Nossos corpos fincados na terra do tempo presente. Nosso amor lavado pelas águas da vida, forte de batalhas vencidas e coragem de seguir em frente. Nós, juntas, nesse porto de abrigar o tempo porvir.
Esse nosso tempo.
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