Das opressões ao corpo: as próprias

O Corpo e os Dedos não faltam para apontar o irregular. Dedos do outro, dedos da mídia, dedos da moda, dedos do padrão de beleza estabelecido, dedos do parceiro, dedos dos familiares, dedos e mais dedos e os nossos dedos… Não se trata de criar uma categoria de qual dedo apontando dói mais, aliás, essa não é nem a questão.

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O Embaraço – Paula Rego

A questão, acho,  é o quanto dói o nosso dedo apontando para o próprio corpo e impondo padrões de beleza como forma de opressão, sem revelar o nosso desejo. Culpa, ressentimento, pavor, terror, auto-negligência… E não se trata da idéia de negligência com a saúde e a “aparência” próprio (o popular desleixo), trata-se da negligência consigo, com o não querer se ver…

Ver o próprio corpo… Não é bem um “Três passos, se aceite, você é lind@”… Mas precisamos ver o nosso corpo! Mais que ver, precisamos tocar a nós mesmos. Sem pudor, sem horror, com carícia, com afago… fazer um auto-cafuné… E não é a idéia do “Já que ninguém faz…”. Se a gente não é capaz de fazer, como alguém vai fazer por nós???

Sim, há aqueles que vão fazer por nós sem que saibamos o quê… Mas não é só assim, não precisa ser só assim e é melhor, pra nós mesmo, que não seja só assim… Porque, uma coisa é certa, se é bom quando acertam o nosso corpo, é muito melhor quando sabemos por que a pessoa acertou…

Se é que existe uma jornada de autoconhecimento, talvez ela seja a da delicadeza dos próprios dedos percorrendo cada dobra, cada músculo, cada buraco do próprio corpo até entender que é nosso! que é do jeito que somos! que pode ser bom e prazeiroso sem causar repulsa.

Sim, porque o dedo que aponta o próprio corpo, o aponta com repulsa… E não, não estou dizendo “foda-se, você não pode ter auto-crítica”… Ter auto-crítica é bom, mas a crítica pela crítica ao próprio corpo, apenas para manter as convenções de beleza é no mínimo, espúria.

Cuidar do próprio corpo, caso se chegue a uma conclusão depois de um processo de auto-conhecimento, poderia ser um simples indicativo de prazer… uma simples prova de amor próprio e, principalmente, um cuidado que não pareça uma agressão, um cuidado que demonstre um desejo…

É pura e simplesmente uma idéia de só mudar o próprio corpo para ser mais quem a gente quer… Pra que o nosso dedo que nos percorra, seja pra entender quem a gente quer é ou quer ser e não pra trazer o que o mundo quer que o nosso corpo pareça…

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