Direito ao próprio corpo

Essa quinzena, lembramos o dia internacional da mulher do nosso jeitinho biscate: luta, celebração e inquietação, tudo junto, arfante e misturado…

#8demarço #nãomedeemflores #diainternacionaldamulher

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O corpo. Nossa vestimenta. Matéria da qual somos feitas. Um corpo com bunda, seios, sem seios, vaginas, coxas, quadris, barriga, pernas, pés. Corpo.
Nós mulheres temos corpo. Algumas tem útero, outras não. Algumas tem ovários, outras não. Algumas tem pênis. Outras não. Mulheres de todos os tipos em todos os corpos de transitar no mundo. Mulheres héteros, mulheres lésbicas, mulheres trans, mulheres gordas, mulheres magras, mulheres. Corpos que devem ser respeitados como são, na liberdade de poder ser, viver e existir no mundo como se deseja.
Mas não, não é assim tão fácil. O corpo da mulher não é um corpo livre, é um corpo cerceado por grossas paredes morais, por violências de diversas formas e tamanhos. As mulheres não podem dispor dos seus corpos como bem entendem. Não podem mostrar seus corpos como querem. Não podem trepar como querem. Não podem acessar a sua saúde como querem. Não podem viver seus corpos como desejam.
Recai sobre o corpo da mulher um carga pesada, machista, castradora e interventora. Regras morais. Intervenções morais. Intervenções físicas. Punições. Estupros. Violências domésticas. Violências psicológicas. Feminicídio. Violência obstétrica. Criminalização do aborto.
Agressões morais a mulher biscate. Vadias. Piriguetes. Elas merecem a punição. A sociedade que intervém na sexualidade da mulher e diz a todo tempo: não pode. Suba o decote, você vai sair com essa roupa?. Ela pediu. Controlam o tamanho das nossas saias como controlam como dispomos do nosso corpo. O corpo da mulher é um corpo coletivo, que pode ser invadido a qualquer tempo, seja no metrô lotado, seja no Hospital quando ela está parindo.
O corpo da mulher ainda pertence a sociedade patriarcal. Ainda é sujeito a controles estatais e morais dos mais diversos. Ainda é objeto de consumo, estampado nos mais diversos comerciais como mercadoria a ser levada pra casa. Um convite feito para que olhem, invadam, venham. Mas não, a mulher não pode querer. Não pode gostar. Não pode desejar.  Contradições.
A mulher ainda deve conter-se, flagelar-se, esconder-se para não provocar os homens. A mulher deve deixar que façam o que bem quiserem de seu corpo quando ela entrar num Hospital parindo, ou for a uma consulta ginecológica, ou estiver em situação de abortamento, provocado ou não, ou engravidar e ser obrigada a levar a gestação adiante. Ou ainda quando for abordada por um homem cujos desejos sexuais devem ser satisfeitos em seu corpo, queira ela ou não.
Violências escancaradas, violências sutis, violências a um corpo feminino cheio de desejos e cheio de vida a ser vivida. Mas que deve conter-se. Ser usado quando for procurado. E ser escondido para não ser violado.
Já basta! Já é hora de termos direito aos nossos corpos, direito amplo e irrestrito aos nossos corpos. Por isso estamos aqui, gritando para o mundo que é preciso revolucionar o corpo feminino, para que possamos, quem sabe um dia, comemorar o dia da mulher como um dia de libertação e luta. Como deveria ser.
Avante, biscates!

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