Chuá de saudades, Inezita

Essa quinzena, lembramos o dia internacional da mulher do nosso jeitinho biscate: luta, celebração e inquietação, tudo junto, arfante e misturado…

#nãomedeemflores #diainternacionaldamulher
inezita

Uma mulher não precisa ser feminista de carteirinha ou sem carteirinha para ser uma grande mulher. Basta ser apenas uma grande mulher. E no dia 8 de março, o dia em que se comemora e tal o tal dia, perdemos uma grande mulher, uma das maiores brasileiras que tivemos: Inezita Barroso.

E este post curtinho é só uma homenagem minha a ela, e uma homenagem indireta a outar grande mulher: minha mãe, Teresa, que me ensinou a gostar de música, de arte, de cultura e em especial de cultura brasileira. Me ensinou a amar o Brasil.

Ë engraçado como as músicas que embalam a nossa infância nunca são esquecidas, posso cantar as modas de viola todas de cor até hoje e elas me soam mais doces e mais lindas que todas as outras músicas que conheço.

Inezita era mais que a grande dama da música caipira, era uma grande dama da cultura de raiz brasileira. Apresentou por 35 anos o “Viola Minha Viola”  na TV Cultura aos domingos, som que sempre embalou a casa dos meus pais e dos meus avós. Além de cantora ela foi instrumentista, arranjadora, folclorista e professora.  E como toda mulher forte e admirável, a moça de família tradicional, Ignez Magdalena Aranha de Lima, teve de brigar e desgostar a família para seguir carreira artística, tendo se formado primeiramente em Biblioteconomia, na USp. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.

Mas o certo é que, durante esses 35 anos, Inezita manteve acesa  a chama da cultura popular caipira brasileira. Uma grande mulher que fará muita falta em nosso cenário cultural e humano, pois era queridíssima de todos que a conheceram.  Em nome de tantas mulheres que fazem muito pelo país e jamais levantam a bandeira feminista é também o dia 8 de março, pois a luta às vezes também é feita de pequenos atos, como seguir em frente pela carreira que se ama, pela cultura que se ama. Esse post é também uma homenagem a tanta mulheres que sacolejam em ônibus lotados pelo pão nosso de cada dia. Talvez elas escutem pérolas do nosso cancioneiro popular nas poucas horas de folga e cantem sem saber que quem manteve vivas essas músicas foi Inezita. Tomara que novas Inezitas surjam dessa músicas que a gente canta.

 

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