Autoestima , lutando por uma vida plena

liberdade

Para mim, como feminista, há quatro grandes lutas: violência contra mulher, descriminalização do aborto, acesso a creches e igualdade salarial.

Tenho notado que no mundo feminino há outro grande tema sempre muito falado que gera muita simpatia e vário cliques: a autoestima. Mas sempre se fala da autoestima com foco na nossa aparência, eu queria falar, de novo, de autoestima como foco no amor próprio e mais falar de algo que pouco se fala e que vou denominar aqui de educação sentimental.

Somos ensinadas, como mulheres, e isso é uma aprendizagem cultural, mais que instintiva, que nascemos para cuidar do outro, dos outros. E mais, que devemos ter um parceiro romântico (lembrando que o conceito de amor romântico nasceu lá pelo século XV, antes disso casamento era um negócio), um homem para chamar de nosso, ou não temos nenhum valor social, ou seja, só temos nosso valor reconhecido se um homem nos quiser e colocar um anel no nosso dedo. E além disso, devemos ter filhos porque seremos completas só assim. E assim vai nascendo o malfadado conceito de mulher para dar e mulher para casar. E assim vamos aprendendo a nunca sermos felizes por nós, mas para os outros, pelos outros, para a sala.

Não estou dizendo que casar é ruim, ter filhos é ruim. Estou dizendo que fazer isso se não é o que você realmente deseja, se for para cumprir papéis socialmente impostos, talvez seja um passo largo dado rumo à infelicidade. Estou dizendo que viver a vida em função de ter um homem a seu lado talvez seja um passo largo rumo à infelicidade. Não somos ensinadas que existem outras coisas na vida. E tem tantas: estudos, carreira, artes, amigos, viagens. Amigos, principalmente. Criar a ilusão de que nossas felicidade depende de estar somente com uma pessoa, a receita do amor romântico, é talvez um passo para a dependência emocional , algumas vezes para a violência doméstica que pode vir em forma de abuso verbal, não precisa ser de violência física, a dependência financeira, e finalmente uma prisão. De novo, não me ponho aqui contra o amor, mas contra uma noção de amor de co-dependência, que é a que existe nos contos de fada da tv, dos filmes românticos. Amor é cuidado, companheirismo, parceria e também liberdade. Liberdade de ser quem você é, de sair e voltar, com respeito e carinho. Se falta isso, não é amor. É abuso. 

Mas muitos de nós vivemos, em casa, grandes ou pequenas situações de abuso, de co-dependência. Vimos nossos pais, avós, tios, tias em relações por vezes desgastadas mas que continuavam lá em nome do amor ou dos filhos e crescemos achando isso tudo bem. E isso se torna sem querer um padrão aprendido, internalizado, e a gente repete, sem ver. Mas isso não era amor. Era medo, era falta de grana para sair dali, era  uma espécie síndrome de Estocolmo, era falta de perspectiva, era co-dependência.

Enfim, era falta de educação sentimental. Era falta de terapia, de psicólogo, de um suporte emocional. É que muita gente acha que terapia é coisa de gente maluca ou problemática. Não é. E também, não precisa ser só através da terapia, as amigas, o reforço da amizade, os laços, falar sobre nossos medos e desejos, ter suporte, ou seja, falar sobre ao invés de varrer para debaixo do tapete. Tudo isso é uma forma de se conhecer e, principalmente, de aumentar a autoestima. Autoestima, amor próprio, esse que nada tem a ver com aparência mas com vontade de viver sua vida e ser livre, inteira. E ser livre tem tudo a ver com o feminismo. Tem tudo a ver com o que desejo pra mim e todas vocês. E toda vez que vejo uma mulher presa em si mesma e nas amarras do mundo  machista em pleno século XXI algo em mim se parte. Nossa luta ainda é imensa.

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