Das Brechas

Por Camila Pavanelli, Biscate Convidada

Marie Calvert teve cerca de três mil parceiros sexuais ao longo da vida (leia mais aqui: Experience: I’ve slept with 3,000 men).

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Aos 28 anos, ela e o marido começaram a praticar suingue e não pararam mais, tendo inclusive aberto sua própria casa de suingue na Inglaterra anos depois. O relato de Marie é uma linda celebração da paixão pelo sexo e vale a pena ser lido.

Ocorre que Marie, que agora tem 63 anos, diz o seguinte ao fim do texto:

Não sou o tipo de pessoa que vai se vestir como uma mulher com metade da sua idade só para chamar a atenção.”

(Que é quase como dizer “Faço bastante sexo mas me dou ao respeito, não sou uma qualquer.”)

No que eu faço algumas considerações:

1) E se uma mulher se veste de forma sexy & vulgar – seja porque tem a intenção declarada de “chamar a atenção” (eufemismo para despertar o desejo alheio) ou por qualquer outro motivo – o que catso o resto da humanidade tem a ver com isso?

2) Não tendo o resto da humanidade nada a ver com isso, que diferença faz se a mulher em questão tem 18 ou 98 anos? Aos 18 anos tá permitido ser sexy e vulgar, aos 98 não pode mais? Quem disse? Quem decide? Qual é a lógica e qual é o limite? Até os 59 tá OK usar minissaia e decotão, aos 60 você recebe pelo correio uma carteirinha de sócia do Clube das Vovós e fica proibida de se vestir como quiser?

3) Nem todo o sexo do mundo é capaz de domar o ímpeto de controlar a sexualidade alheia – especialmente, é claro, a sexualidade feminina.

4) Por outro lado, não deixa de ser libertador constatar que, se essa pessoa super liberada que transou com mais pessoas do que eu tenho de amigos no Facebook não está livre de fazer um comentário machista, não sou eu que vou estar. É da vida. Não é o fim do mundo. É contornável. Ao se perceber falando bobagem, basta fazer piada de si mesmo – e pedir desculpas, quando for o caso.

541411_10200997937499241_1209699544_n-290x290*Camila Pavanelli é daquelas. Daquelas que sabe rir, muitas vezes de si mesma. Daquelas, marota, que nos faz rir também. E pensar. Daquelas que faz biscoito em casa – e de gatinho! – porque sabe que a vida dói, mas isso não deve nos impedir a ternura e o bom. Daquelas que recorda, repete e elabora no seu blog (aqui). Ah, claro, não se pode esquecer… Camila é daquelas: gente de humanas.

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