As vilãs e o sexo nas novelas

As novelas têm perdido audiência, a tv aberta têm perdido audiência, e a cada estréia de um novo produto e a cada queda do IBOPE os mandachuvas correm em busca de novos culpados em busca da audiência perdida. Pode ser o casal homoafetivo da vez, pode ser o vocábulo ateu,  pode ser a moça que não vai ser mais prostituta mas sim amante  e pode ser a vilã ninfomaníaca

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Peraí. Ninfomaníaca? Ahhh transou com mais de 3 já é ninfomaníaca. Bem, não é bem assim. O apetite sexual excessivo, hipersexualidade, desejo sexual hiperativo (DSH), ou ninfomania (em mulheres) e satiríase (em homens) é um transtorno sexual caracterizado por um nível elevado de desejo e atividade sexual a ponto de causar prejuízos na vida da pessoa. Trata-se de um tipo de vício com sintomas compulsivos, obsessivos e impulsivos, e seu tratamento é similar ao de outros tipos de dependências. Ou seja, é preciso que cause sofrimento e transtorno na vida da pessoa e não prazer.

Pois bem, Beatriz tava lá feliz,  de boas, transando com um carinhas aqui e acolá e me parece que o fetiche dela tá mais para mandar, poder, e o perigo de ser flagrada. Quem nunca, né? Fetiche, cada um com o seu. Mas aí a Dona de casa, de acordo com sei lá que  grupo de pesquisa, resolveu que Beatriz é ninfomaníaca. Já patologizaram a moça.

susani

Mas sexo em novela, e na tv em geral, nunca é uma coisa bem resolvida, sempre vem com um caminhão do tipo fenemê de culpa junto. Notem que as mocinhas sempre são virginais, só amam e transam, por amor, com um só mocinho, e ai delas se fizerem isso com mais de um ou por puro prazer. Castigos terríveis surgirão, separações, gravidezes indesejadas e por aí vai.  Basta ver a Márcia na reprise de o Dono do Mundo que foi dar pro homem errado e teve o posto de protagonista roubado pela prostituta arrependida da Taís (prostituta se for arrependida, pode, deve ter algo a ver com Maria Madalena, mas tem que sempre sofrer, por óbvio).

Já as vilãs, ahhh essas são terríveis! Elas são sensuais, adoram sexo. Com mais de um, se puderem.  Gostar de sexo pra vilã mulher está associado com, veja bem, vilania. E pagam  muito por gostarem de sexo as pobres. Bastante. Se não forem vilãs o máximo que pode acontecer é que a personagem fogosa é o alívio cômico da trama, tipo Tina Pepper ou Tancinha, e sempre quase pega os caras, mas nunca chega aos finalmentes, como diria madrinha noveleira,  porque na verdade só tem um grande amor e tal.

Já vilão homem gostar de sexo faz parte mas não é castigado, é bacana, é sexy sem ser vulgar. Nem o personagem engraçadinho que trai a mulher,  nem o que tem 2, 3 famílias  e por aí vai. Lembrem-se de Cadinho, Seu Quequé , Laerte e Laerte2, o retorno (ops, desculpa, Luís Fernando).

Na verdade nossas tv parece moderninha mas continua nos anos 50. Que o diga Fátima Bernardes e seu encontro matinal com a máquina do tempo.  Espero que no próximo aniversário de 50 anos da emissora minhas netas  ou netos possam assistir mulheres que transam e não são chamadas de ninfomaníacas, ou até lá a globo faliu e o Netflix ou outros dominam. Sonhar nunca é demais.

carminha

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