Melhor de quatro

A. chegou perto de mim, os olhos muito abertos: “Eles me convidaram pra dormir no quarto deles!”

“Eles” eram os franceses que minha avó hospedava no apê de Boa Viagem. Me lembro de Claire, loira, cabelo curto. Os outros dois eram um casal: só sei que ele tinha feito ENA. Uma “grande école”. Moço bem formado. Dela, a memória é de que reclamava muito – das pessoas, da cidade, do sol forte demais. Reclamava. Os nomes não sei mais.

Os franceses tinham achado muita graça ao descobrir que a gente não dormia no mesmo quarto ali, na casa da minha avó. Eu dormia no quarto de visitas, com ela. Ele, no quartinho. Os franceses, os três, estavam alojados no quarto da minha avó: uma cama de casal e um colchão de solteiro, no chão.

A. continuava olhando pra mim com aqueles olhos arregalados. Meio assustados. Meio alguma outra coisa que eu não defini na hora. Nem agora. Curiosidade? Vontade?
O sujeito era meio sem-graça. Mas as meninas eram interessantes. As duas.

– E agora, o que é que eu faço?

– Ué, criatura, é pra mim que você pergunta? Vai lá. De repente eles querem fazer briga de travesseiros, tá faltando um.

Seria um motivo justo: briga de travesseiros de três não dá certo.

BrigaTravesseiros

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