Beleza é subjetivo?

Semana passada, me senti muito mal com um comentário que me contaram sobre mim. Me contaram sobre um papo que rolou sobre mim, que eu tinha o rosto feio, que a única parte bonita do meu corpo é a minha bunda. Me senti um lixo, ouvi muito isso na adolescência, que era feia de rosto e tinha a bunda bonita. Adolescentes sofrem muito com a opinião dxs outrxs, eu me lembrei muito daquele momento quando ouvi o comentário.

Machucou demais, mas parei pra enxergar o que aquele comentário queria dizer. Padrões de beleza racistas e gordofóbicos, que dizem que negras são feias, gordas são feias, se for as duas coisas, mais feias ainda. Dizem que beleza é subjetivo, mas é, na verdade, uma construção social, você se interessa pelo que sempre lhe foi mostrado como belo. Através da história das artes visuais, notamos o quanto essa “subjetividade” se adapta aos padrões da sociedade e seus preconceitos.

E, sim, o tesão também é uma construção social, então, se excitar com mulheres loiras, brancas e magras vem sim de como você foi criadx em uma sociedade racista e gordofóbica, você aprendeu a desejar a loira magra e enxergar a negra e gorda como uma mulher “com qualidades, mas não tão bonita” ou “com um rosto tão lindo, mas não se cuida” ou ainda assim “tão bonita, mas o cabelo não combina com ela”.

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Eu me desconstruo todos os dias pra me enxergar bonita e desejável aos meus próprios olhos, pois também sou fruto da sociedade, é difícil, luto contra tudo que absorvi por 30 anos vivendo em contato com o mundo. É esquecer o preconceito, o bullying e tudo que já ouvi de preconceituoso e seguir adiante, me transformando e transformando quem passa por mim. Afetando as pessoas e fazendo–as compreender que a beleza precisa ser desconstruída, no dia a dia. Calma e pacientemente.

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