Mesa Pra Quantos

Acordar é em lentamente. Não abre o olho, não primeiro. Antes, deixa a ideia se espalhar. Alonga as pernas, faz pontinha nos dedos do pé. Um suspiro de bom lhe afasta os lábios. Sente o pegajoso entre as coxas. O dolorido gostoso no corpo. Gosto de vinho amanhecendo na língua. O cheiro de cigarro em quarto de janelas fechadas. Na sala, um cd em repeat murmura, cansado. Estica os braços e esbarra em lembranças. Move o corpo para a esquerda, tateia lençóis, um corpo. Como um filme antigo mal restaurado, os flashes. Roupas empilhadas. Um pé que esbarra na garrafa de vinho. Língua na orelha. Língua no pescoço. Um corpo que se estende no sofá. Uma boca que chupa um dedo do pé. Uma mão que se encaixa entre coxas. Morder uma bunda. Ser lambida. Tesão. Peles que se roçam. Pernas que tropeçam. Uma boca, um pau, uma bunda, outro pau, um peito, uma axila, um cotovelo, um pescoço, uma barriga, um pau, uma buceta, um joelho, um pescoço, um ombro, uma buceta, um pau. Bocas. Línguas se entrelaçando. Línguas invadindo orelhas, umbigo, cu. Uma mão em um pau, um pau em uma buceta, um pau esfregando em outro pau, uma boca chupando ombros, chupando seios, os seus, os outros, uma mão na nuca, uma mão em outra mão. Dentes. Dedos. Saliva. Um corpo sobre. Um corpo entre. Um corpo fora. Um entra e sai, um aqui dentro, agora, vem, vem. Mais. Um gemido seu em outra boca. Uma mordida quase sangue no lábio. Uma mordida na barriga. Uns olhos abertos, uns olhos fechados, umas pernas abertas, uns braços abertos, uma língua em mamilos, um saco, chupar, sugar, lamber e um dedo lhe tocando firme, rápido, leve, seios roçando em suas costas. O gosto dela em um pau, em um dedo, o suor na sua língua indo pra língua outra. Roça. Penetra. Volta. Ruídos. Risos. Gemidos. Sente um corpo que se estende em suas costas, seios e pau duro, mãos nos seus peitos, um pau que vai e vem na sua boca, mordidas na bunda, nas bundas, mãos viajantes, saliva, suor, o gosto de pele, de pêlo, seu coração batendo no peito alheio, seu sangue latejando no ouvido outrem, unhas cravadas nas costas já não se sabe de quem. Em cima, em baixo, ao lado. Fora. Olha. Uma água? Quero. Vai. Volta. Mergulha entre. Um corpo na frente, um corpo atrás, uma alegria em volta.

café

Sorri, agora já é dia no olho aberto, levanta, veste uma camiseta que não lembra de quem, chuta sapatos no caminho, abre janelas, muda do cd para o rádio, acende o fogo, espreguiça, a primeira xícara fumegante é só dela, gosta dessa solidão matinal, um tempo pra ir se ajustando a ela mesma, dança um pouco, ri um pouco, coloca a mesa pra três, xícara, pão, queijo, manteiga, esse gosta de açúcar, a outra fala baixo e toma café pingado meio encabulada, fé cega, faca amolada, ovos mexidos? ovos mexidos. Na bandeja as frutinhas que só ela come de manhã. Já desperta, repara que ainda cabe pelo menos mais um na mesa do café. Gargalha com a sintonia, é pensar e, no rádio, Roberto Carlos se equivocar na conta:

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6 ideias sobre “Mesa Pra Quantos

  1. Hahahahaha agora que vi a mudança da descrição do perfil…..
    Adorei o texto. Delícia mesmo. Consegui pensar em manhãs parecidas com essa… pelo menos nas roupas espalhadas, nos copos, na primeira xícara de café.
    Tudo junto e misturado.

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