Motes Publicitários

Tenho um amigo que usa uma expressão engraçada pro tempo em que está no processo de tentar conquistar uma garota: ele chama isso de “campanha de lançamento”. A campanha de lançamento é tudo o que se faz pra ver se a moça (ou o rapaz) te acha interessante e decide ir adiante.

Me lembrou um livro que eu tenho sobre feitura de CVs: o sujeito garante que, se você fizer o CV segundo suas recomendações, chega na entrevista. Aí é por sua conta.

Mas só que esse é que é o ponto, não é mesmo: serve pra CVs, não tanto para relações afetivas. Quer dizer, caso o objetivo da história seja que aquilo vire uma relação, ou pelo menos um projeto de, o que você vai ser depois, além de você mesmo? Como é que vai passar da campanha de lançamento para o dia-a-dia de você normalzão sem causar impacto?

Fiquei pensando nisso porque minha abordagem é basicamente o oposto disso: a minha “campanha de lançamento” tem como mote “não espere nada de mim além de mim mesma”. Me lembro daquele dia em que fui encontrar um cara em quem estava bem interessada, e ele nem sabia: a roupa? Uma camiseta de que eu gostava e minha calça jeans meio rasgada. Não é que eu não tenha me preocupado com o assunto, entendam. Me preocupei, e essa foi a escolha para aquele momento. Uma “eu” do jeito que eu sou mesmo, calça velha e rasgada e tal. Era, sim, uma calça de que gostava, entre outras coisas, porque achava que vestia bem. Mas não poderia ser nunca uma roupa “arrumada”. Não sou arrumada no cotidiano (embora me arrume um monte, mas isso é outra conversa); logo, não poderia sair pela primeira vez com o cara usando uma das minhas – poucas – roupas “arrumadas”. Essas são pra eventos tipo casamentos, cerimônias. Não pra encontrar um sujeito que eu quero que se interesse por mim.

Do mesmo jeito, já vi gente tentar se interessar por assuntos aleatórios para ver se conseguia chegar perto da pessoa no foco. Acho bem esquisito, já que amanhã ou depois ela vai descobrir que você não se interessa de verdade por aquilo. O que não quer dizer, claro, que não possa vir a se interessar: apenas não é a sua praia naquele momento. Depois da relação começada, a pessoa pode te apresentar àquele universo até então estranho, e você, ao ver o que a encanta ali, também pode se encantar, por que não? Só que o movimento é ao contrário. Primeiro, você chega como você mesmo: aí é que você vai – se tudo for adiante – conhecer o universo do outro, e, quem sabe, se encantar por alguma das suas paixões.

Tive um namorado que dizia que “amar é comer e comer de novo, e de novo”…. acho graça nessa formulação e entendo o que ela quer dizer. Dia após dia se constrói uma história. E talvez seja isso: não consigo olhar para além do próximo dia. Que de repente será seguido de outro dia. E quando se olha pra trás, em algum momento, nota que ali já tem uma pá de dias enfileirados: será que aquilo já virou uma história? Pera… melhor deixar passar mais uns dias.

em qualquer caso, cuidar das roupas de baixo

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4 ideias sobre “Motes Publicitários

  1. Eu conheço várias pessoas que seguem caminhos parecidos com os do seu amigo… Eu, se seguisse algum, gosto de pensar que seria como você. Mas nem posso me gabar disso. geralmente eu primeiro fico com as pessoas e só depois vem a “paquera”. Eu meio pego na rua, né. Ou sou pegue, sei lá. Mas nunca tive encontros, jantares, saídas, nada disso.

    • Curioso. Eu tenho pensado nisso desde que ouvi essa expressão… e acho que o que enganchou foi o próprio fato de haver uma expressão. Se as coisas são fluidas, se é um dia depois do outro, por definição, não pode ter “campanha”, né. É “a gente vai vendo” o tempo todo.

  2. Já eu sou uma pessoa que se monta pra vida. E fico pensando nas vezes que me desmontei pra isso, justo pra não parecer montada demais… Ou seja, o avesso do fake sendo fake de mim. Vai entender.

    • hahaha Vanessa! Espetacular essa. Eu já até me perdi aqui em qual é a versão verdadeira. Mas, em qualquer caso: não descuidar das roupas de baixo. Caso haja.

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