O amor que não precisa ter nome

Por *Bia Cardoso, Biscate Convidada.

A Iara tem feito vários textos sobre a novela Sete Vidas, que está na reta final sendo exibida na Rede Globo. Também sou fã da trama e hoje quero falar sobre dois personagens em especial: Eriberto e Renan.

Eriberto é um homem requintado, leiloeiro que gosta de bons jantares e preza muito a amizade das pessoas. Ele é casado com Marta, metódica e ambiciosa. No início da trama, havia uma suspeita levantada em diálogos se Eriberto era gay, mas nada foi comprovado. Essa suspeita só retornou quando Renan apareceu na trama. Dentista que também gosta de prazeres refinados, foi Marta quem os apresentou sabendo que se dariam muito bem.

Acontece que tanto Eriberto como Renan são casados com mulheres. Aí, nossa curiosidade mórbida sobre a vida alheia fica naquela expectativa: são gays? não são? o que é isso? A melhor parte é que Lícia Manzo, autora da novela, não parece estar preocupada em definir o que Eriberto e Renan são, mas sim em nos presentear com cenas maravilhosas em que os personagens mostram uma intimidade e um amor tão pungente que chegam a ser mais explícitas que um beijo na boca.

Há algo nas cenas cotidianas, como a visita a casa de Petrópolis ou a compra de um terno, que mostram uma amizade até rara de se ver entre dois homens. Porém, foram nas cenas ocorridas após o falecimento do pai de Eriberto que mais transpareceu esse amor sem nome ou carteirinha registrada. O olhar entre os dois quando Renan consola Eriberto é a representação física da empatia e do acolhimento entre duas pessoas. Além desse, há o momento da cerimônia das cinzas e a decisão de Renan presentear Eriberto com um relógio antigo.

Os atores Fábio Herford e Fernando Eiras declararam que essa é uma história de amor e paixão cheia de afinidades e fraternidade, mas sem beijos e carícias. Até mesmo o fato de serem dois homens mais velhos representa uma nova forma de apresentar um relacionamento em novelas. É claro que queremos ver nas novelas e em outras produções culturais muito beijo na boca e sexualidades que fujam da heteronormatividade, mas ao defender todas as formas de amor também é preciso lembrar dessas outras vivências do verbo amar.

Eriberto (vivido pelo ator Fábio Herford) e Renan (vivido pelo ator Fernando Eiras) em cena da novela Sete Vidas (2015).

Eriberto (vivido pelo ator Fábio Herford) e Renan (vivido pelo ator Fernando Eiras) em cena da novela Sete Vidas (2015).

foto_bia*Bia Cardoso é feminista e lambateira tropical.

 

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