Aborto e arrependimento

Por *Bia Cardoso, Biscate Convidada.

Esta semana, foi divulgada uma pesquisa norte-americana mostrando que 95% das mulheres que fizeram um aborto acreditam que essa foi a melhor decisão, sem arrependimentos.

Do total de pessoas avaliadas, 40% justificaram a decisão com base em aspectos financeiros; 36% das mulheres disseram que “não era o momento certo”; 26% recordam que a escolha foi tomada facilmente ou muito facilmente; e 53% dizem que a decisão foi difícil ou muito difícil.

Os pesquisadores destacam que a amostra foi diversificada no que diz respeito a métricas como cor de pele, educação e emprego. Eles também procuraram mulheres com diferentes contextos de gestação. Segundo os autores, a grande maioria das mulheres que participaram do estudo sentiram que o aborto foi a decisão certa “tanto no curto prazo, como ao longo de três anos”.

Para mais detalhes, divulgo aqui a tradução que fiz do texto ‘Study finds 95 percent of women who had an abortion say it was the right decision’ de Maya Dusenbery, publicado no site Feministing.com em 14/07/2015.

O mito de que o aborto provoca problemas de saúde mental nas mulheres é usado há muito tempo e agora pode ser colocado de lado. Porém, no caso de você precisar de mais evidências para responder aqueles cartazes contrários ao aborto que insistem em dizer “as mulheres sempre se arrependem de um aborto”, há inúmeras fontes, aqui estão algumas.

De acordo com este novo estudo que acompanhou centenas de mulheres que realizaram abortos, mais de 95% das participantes relataram que a interrupção da gravidez foi a decisão certa para elas. Sentimentos de alívio ultrapassam quaisquer emoções negativas, mesmo três anos após o procedimento.

Os pesquisadores investigaram tanto mulheres que realizaram abortos no primeiro trimestre da gestação, como mulheres que realizaram o procedimento após esse período (casos que muitas vezes são classificados como “abortos tardios”). Quando o assunto são as emoções das mulheres após o aborto, ou suas opiniões sobre se era ou não a escolha certa, eles não encontraram nenhuma diferença significativa entre os dois grupos.

A pesquisa, que é a mais recente fora o Turnaway Study, encontrou alguns fatores que levam as mulheres a terem sentimentos negativos. Como você pode imaginar, um aborto que pôs fim a um gravidez planejada ou uma pessoa em conflito com a decisão tomada relataram mais emoções negativas e menos confiança de que essa foi a escolha certa. Além disso, aquelas que precisam desafiar as regras de seus grupos sociais para realizar o procedimento tendem a ter menos apoio social e sentem mais o estigma do aborto.

Em outras palavras, a esmagadora maioria das pessoas não se arrepende de seus abortos, e para a minoria que se sente mal sobre sua escolha, isso acontece, pelo menos em parte, graças ao empenho e esforço do movimento anti-escolha para que elas se sintam mal. E mesmo assim, eles não parecem estar fazendo um trabalho muito bom nesse campo.

Manifestantes espanholas lutam pelo direito ao aborto legal. Setembro/2014. Foto de Susana Vera/Reuters.

Manifestantes espanholas lutam pelo direito ao aborto legal. Setembro/2014. Foto de Susana Vera/Reuters.

foto_bia*Bia Cardoso é feminista e lambateira tropical.

 

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