Lágrimas de um futuro frustrado

Pensar em morrer, sem choro nem vela, com uma fita amarela gradava com nomes, vários nomes. Quem nunca pensou? Desejou? não se trata de poligamia ou poliamor frustrados, mas pode ser também. Trata-se de planos, planos frustrados.

Uma coisa que é recorrente, pelo menos pra mim, é tomar as experiências e frustrações em relacionamentos como uma perda. Perda de tempo, de sanidade mental, às vezes, até perda de amor próprio. O que me sempre foi muito difícil e acredito que seja pra muita gente, é tomar essas experiências como ganhos. Sim, ganho de experiência, de autoconhecimento, de conhecimento de vários outros, de contato com pessoas e questões diferentes da nossa e, mesmo, de condições distintas da nossa.

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Talvez seja por isso que a gente chora (pelo menos, chora por dentro, para aqueles que não se permitem chorar mesmo). Nossas frustrações amorosaa (e quem é biscate sabe que tem uma tapa de frustração de uma leva só) são o reflexo de como desejamos o outro e como transferimos para esse outro, às vezes sem qualquer garantia, nossas vontades de futuro. Garantia… Nós sempre queremos uma garantia e, pior, queremos que o outro seja a nossa garantia… Difícil é sermos a nossa própria garantia com o outro…

Não se trata de buscar proteção, de não criar expectativas, etc… Se retrair diante de relacionamentos (ou possibilidade) é, talvez, a pior estratégia. Ao contrário, a ética do “se joga” abre a vida para um conjunto maior de possibilidades, felizes ou frustradas…

Talvez não seja fácil, muito menos pouco dolorido (no ego, no coração, na cabeça e no corpo), mas a frustração, o seu choro, as lágrimas derramadas são a nossa única garantia de ter buscado a experiência, de ter vivido o nosso desejo. Então, SE JOGA.

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