50 tons de yin e yang

Ying_yang_sign

Segundo a wiki,

Yin e Yang são dois conceitos básicos do taoismo que expõem a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, a água, a passividade, escuridão e absorção. O yang é o princípio masculino, o fogo, a luz e atividade.

Por isso, muitas vezes, pra simplificar, a gente tende a dizer que yin é o “princípio feminnino” e yang o “princípio masculino”. Simplifica, sem dúvida: mas às vezes também prejudica o entendimento. Pois uma das coisas essencias que se aprende quando se começa a estudar filosofia oriental é o o yin e o yang são sempre relativos. Algo é yin com relação a outra coisa, e pode ser mais yang do que uma terceira. E tudo acontece em uma gradação em que se passa de um pólo a outro atravessando infinitas nuances.

Assim, parece absolutamente natural falar-se de homens yin ou de mulheres yang: entre os homens (a princípio mais yang), entre as mulheres (a princípio mais yin), considera-se que existe também um espectro de gradações infinitas. Outro jeito de olhar para o mundo, outros “óculos de ver”: e enquanto escrevo vejo um rapaz pálido, esguio, flexível, que medita em seu quimono azul e tem uma trança longa de cabelos finos, E uma mulher morena, forte, vestida de vermelho, jogando basquete numa quadra. Pulando, correndo. Rindo alto. Yin-yang. Nada é tão simples, nada é tão puro, nada é absoluto.

Uns “óculos de ver” tão diferentes das rígidas caixinhas do feminino e do masculino, tão pouco apropriadas a gradações. Que, entretanto, existem. Basta andar por aí e ver: o que é considerado “feminino” ou “masculino” em cada lugar? Muda. Varia. É diferente. Para olhos criados no Rio de Janeiro, por exemplo, é como se boa parte dos homens parisienses fossem efeminados: os jeitos, as modas, os cabelos, os trejeitos seriam “decodificados” assim, aqui. Caixinha estreita essa do masculino no Rio de Janeiro (que uso como modelo porque é daqui que escrevo: é provável que seja assim em boa parte do Brasil também). Por outro lado, a “caixinha do feminino” usada pela minha avó era apertada demais para me caber: eu jamais fui aquela moça fina, elegante, de fala pausada, sorridente, flexível que ela parecia achar adequada. Eu era barulhenta, briguenta, de gestos largos e fala alta. Aprendi a nadar quase ao mesmo tempo que aprendi a falar – porque, conta minha mãe, eu me jogava na água então era melhor me ensinar logo. Não era, como diria a Simone de Beauvoir, uma “moça bem-comportada”. Pra minha avó, certamente faria mais sentido eu ser menino.

Caixinhas. Espaços estreitos e pré-definidos. Longe das gradações, das nuances, das sutilezas delicadas e escorregadias. Translúcidas. Vaporosas. Sutileza é, provavemente, yin. Se comparada com a yang certeza. Reta. Seca. Dura. Certeza de ângulos definidos.

Difícil? yang é quente, é vermelho. Como a raiva, mas também como a alegria. Faz barulho.

Yin é molinho, é úmido, é frio. Quieto, silencioso. É bom? É ruim?

Depende. Tudo depende.

A mão que toca o violão se for preciso faz a guerra.

E caixinhas que parecem tão sólidas, tantas vezes, são de papelão. Que tal abrir, transformar, fazer origami de flor? Fazer um barquinho e soltar pra que flutue, e encontre seu próprio caminho? Seus próprios tons e nuances? Seus espaços e frestas? Que tal?

O unicórnio de Blade Runner

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