Sexo é a dois

“Sexo é a dois” é um título de provocação. E, é claro, pode ser a mais que dois – ou a menos: masturbação também é sexo, afinal. E bem ajuda a se entender…..

Mas voltando: a questão aqui – e vou me ater a esse “a dois” mesmo, pra simplificar  – é que sexo é algo que se faz com outra pessoa. No sexo hétero, algo que uma mulher faz com um homem.

Aí que quando vejo uma listinha engraçadinha de “atitudes que as mulheres odeiam no sexo”  já me dá preguiça. Dá vontade de dizer, primeiro, que eu não sou “as mulheres”: não, amiga, não dá pra descrever assim direitinho “do que as mulheres gostam”, porque elas gostam de coisas diferentes…. e só fazendo sexo com cada uma delas é que dá pra saber do que, de fato, cada uma gosta. Não tem jeito, é tentativa e erro. Tentativa e às vezes acerto. Se possível, se divertindo muito no caminho.

Ia dizer que é bom que seja leve, mas o “leve” não se refere ao sexo em si: é sobre a forma de encarar. Quer dizer, ninguém nasce sabendo, não é mesmo? Não precisa ser incrível da primeira vez. Não precisa ter orgasmos múltiplos, ver estrelas, sentir a terra tremer, não importa o que digam todos os Sabrinas e Julias que você possa ter lido – sempre, sempre, nesses livretos, a primeira vez define tudo e leva a pessoa às nuvens: nada mais apropriado pra criar expectativas erradas sobre uma primeira vez.

E a “primeira vez” é a primeira vez com aquela pessoa. Cada pessoa é uma, cada caminho é um. Certo, pode ser sexo de uma vez só: não foi incrível? Não foi maravilhoso? Não rolou bem? Ué, acontece. Como dançar. Imagina dançar com alguém pela primeira vez uma música desconhecida: ninguém espera que o encaixe seja perfeito, que seja absolutamente harmonioso, que ninguém pise no pé de ninguém…  pode até acontecer, mas isso é fruto do acaso. Não é um dado da vida.

Já se houver a vontade de outras vezes, a gente vai aprendendo… a dois. Um aprende o corpo do outro. Interpreta, decifra, escuta. Vê como é. Acho que abertura e curiosidade, em termos de atitude. (Eita, já tô entrando na linha “manual”… )

É nisso que eu queria chegar, isso é o que me incomoda mais na ideia dos tipos-de-homem: afinal, você está participando do ato, ou está ali apenas observando a performance alheia para depois descrever a pessoa? Se o cara é apressado, diminui o ritmo; se não gosta de preliminares e você gosta, sugere, com a fala, com o corpo…. porque nessa dança não há música a seguir, vocês constroem a música juntos.

Ninguém sabe tudo de prima. Ainda mais nessa área aí. Esse negócio de “ser bom de cama” (ou boa de cama) obscurece o que devia ser o ponto: sexo é a dois, e se o sexo foi bom, as duas pessoas estão envolvidas nisso. A ideia do homem “bom de cama” sugere que é um atributo do cara, e não um resultado do encontro. Sexo com fulano, com beltrana, pode ser incrível. Pra mim. E pode não ser pra você. Se a primeira vez não foi incrível, a próxima pode ser melhor. E se foi tudo mais ou menos, ué: não precisa ser culpa de ninguém. Mais do que isso, um sexo mais ou menos pode até ser divertido. Se a pessoa é bacana, se você está ali de bobeira… ora, por que não?

Acho que é nesse sentido a leveza de que falava: não precisa ser ótimo, não precisa te tirar do chão. Mas é bacana, vai. E você tem parte nisso. Você. A outra pessoa. É a dois que se faz sexo. Tá todo mundo ali envolvido. Ralando. E rolando.

kamasutra_mehndi

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