Gira o mundo, Elza!

Nesses tempos absolutamente macambúzios, tristonhos, é comum que a gente se sinta sem nada a dizer…

Esses momentos do nada a dizer são broca na moringa. Eles martelam. E como aquele gosto de ontem, depois do fogo destemperado, mas sem a glória de um evento qualquer. Um guarda chuva imenso, chuva ácida.

A gente acaba, sempre e sempre, esquecendo que o mundo gira, naquela antiga anotação: sempre a girar. Nesse giro é sempre um buscar. Não quero com isso tirar destas irresignações, desta raiva, deste inconformismo, desta tristeza, a sua intensidade brutal. Não é relativizar. Mas o mundo de ontem sempre foi pior, as fogueiras, as forcas. Desde que alguém patenteou o fogo ou resolveu escolher um deus em detrimento doutros estamos nessa lama destruindo rio. Talvez nunca superemos esse egoísmo, essa latrina da acumulação, a meritocracia – a verdadeira bazófia do planeta. Talvez…

Aí, nesse cantinho e noutros por aí, a gente acaba tendo aquela coceira de continuar a crer, acreditar, militar. Sou daqueles que acho que isso é mais gostoso se for melado, molhado, ereto, bolinante, em sussurros, gemidos, tesões, olhares. Trocas: de fluídos, de ideias, de corpos, de linhas, de comida com cheiro de refogar.

Tá… deve o texto estar naquele pretensioso, falso otimista e tal e lal lousa mariposa. Ok, vamos aos finalmentes, entrementes: O disco novo da Elza Soares. Um colosso.

Elza encontrou os meninos de São Paulo, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Marcelo Cabral. Nos versos cortantes do Passo Torto, na guitarra de Kiko que parece cortar, Elza – pra variar – se reinventa. A grande dama. A mulher do fim do mundo. A mulher excepcional. Desta vida e deste mundo que gira. E segue. Corre lá. São quarenta minutos de disco. Sairemos todos novos. É necessário: combustível. E como sexo, vital.

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