Apenas, 2016

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foto: arquivo pessoal

Hoje eu apenas queria escrever um texto-sopro. Um texto sereno de beira de mar. O último de 2015. Esse ano em que tudo me cortou e me rompeu. Em que me costurei de novo com linhas imaginárias, tecendo novos sentidos.

O ano. Ritual. Gosto das passagens. Voo ao teu encontro querendo deitar a cabeça no mar. O mar é um colo. Deixo-me chorar o encanto do mar. É que a gente também tem um mar por dentro.

Hoje eu queria apenas ser doce. Lavar o sal da pele no rio. Deitar na rede que me embala o pensamento. Sentir a grama verde nos pés de areia, me penetrando os dedos. Gozar. Dormir exausta de cansaço com o corpo quente, sentindo o gosto de vinho nos lábios. Apenas.

Delicadezas. Dessas que a vida ganha cores. Sabores. Leveza de sentir amor no vai e vem das ondas. Acalento na impermanência do mar. Saudação. Hoje eu queria apenas o silêncio diante da enormidade de não saber, que se ergue indefinido em frente aos olhos. Deixar-me levar sem porto de chegada.

Despida de tudo que me cabe, despeço-me de 2015. Não lamento, nem agradeço. Sinto em mim os ecos das vivências. O sabor das dores. A grandeza dos amores. As incompreensões que me moldaram novas formas de existir. E assim reverencio a vida que me arrebata sem começo nem fim, flutuando na corrente do rio.

Feliz 2016, ano novo. Recebo-te com o espanto de uma criança diante do mar. Nem mais nem menos. Apenas.

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