Fim de temporada. Repensando questões.

Foi um ano difícil, e esse final de temporada, no Brasil e no mundo, está mais agitado que os 3 seriados da Shonda juntos. E não há nenhum spoiler do final, infelizmente. Adoro a segurança dos spoilers, cresci lendo no jornal da tv o resumo da semana da novela. E apesar dos pesares, dos retrocessos e tudo, foi um grande ano pro feminismo. As campanhas #primeiroassédio, #meuamigosecreto e #AgoraÉQueSãoElas trouxeram o feminismo e a luta das mulheres para a pauta do dia a dia, o feminismo está pop. As meninas liderando o #OcupaEscola (beijo, Marcela, musa) e a Marcha das Mulheres Negras também. O balanço é positivo, mas estou aqui a repensar alguns pontos que a gente anda a debater aí pelas internetz.

A sororidade. Já me posicionei contra ela, não acho que deva ocorrer de forma irrestrita, com passar a mão na cabeça quando se fala ou se comete bobagens. Mas ando pensando que sim, a gente precisa se unir mais pra buscarmos nossas conquistas, focarmos no que concordamos e temos de semelhante do que debatermos infinitamente as divergências. Isso não quer dizer varrer divergências pra debaixo do tapete e não falar sobre elas, mas sim mantermos o foco no que buscamos, nos direitos essenciais que ainda nos faltam. Não acho possível um feminismo interseccional sem …sororidade, ou na verdade, proteção e companhia de umas para com as outras.

Não acredito em vitimização de mulheres, mas como mulher bem sei que somos bem pouco ouvidas, sei que a vida todo dia esfrega o sistema patriarcal nas nossas caras, umas ainda mais que outras pois cor da pele, status social e orientação sexual pesam ainda mais. Mas acredito que a gente precisa de acolhimento e precisa acreditar que nenhuma escolha é feita no vácuo, que há aquele troço chamado caldo de cultura  dentro e misturado. Que nenhuma agência, nem masculina, nem feminina,  por mais madura que pareça é feita no vácuo, há o mundo em que crescemos e vivemos ao redor. A gente precisa uma das outras. Precisa ouvir o que a outra diz, precisa abraçar, botar no colo se precisar, mas também precisa dizer a verdade. Dizer: sai daí, amiga, você não precisa desse homem nem de homem nenhum, nem de ninguém. Não, não dê mais uma chance  a esse cretino. Não, esse ciúme, possessividade, controle, etc. não quer dizer que ele te ama etc e tal.

Não, sua mãe/pai/madrasta/vó/o escambau não estava certo, você é fera. É que a gente foi ensinada a ver o mundo com olhos de contos de fada onde precisamos de um homem do lado, do contrário não seremos ninguém, e eles nos salvarão do sono/tédio eterno e solteiras são pessoas não desejáveis. A gente tem que dizer pras amigas sempre e todo dia pra seguirem seus instintos primitivos, porque se tem algo que te faz sentir desconfortável, tenha certeza, vai piorar, não é para dar uma chance (cada vez mais acho isso mais provável que o oposto), que o cara só é bacana se te faz feliz , se não te diminuiu, se te faz ser melhor, assim como você faz a ele. E , principalmente, que se você está sozinha isso legal, há montes de amigos bacanas por aí, há livros, trabalhos, filmes, tanta coisa pra fazer. Sexo é ótimo mas não é tudo. Amor também, mas também não é tudo.

Sobre os feministos ou esquerdomachos ou uzómi ou, enfim, os homens. Olha, to pensando. Muito. A gente curte falar com eles, debater, curte tomar um suco ou uma cerveja, curte. Mas diante de uma maioria que prima pela falta de bons modos e de compreensão … realmente, caras, o protagonismo é nosso. Beijos.

Por fim, fico sempre pensando nessa cultura, que é do patriarcado, que fica constantemente acirrando os ânimos entre as mulheres, divindindo, opondo solteiras x casadas, gordas x magras, bonitas x feias, libertinas x pudicas e por aí vai, sempre numa dicotomia de santa ou puta. Todas somos santas e putas. Todas somos um monte de coisas várias vezes por dia, amiga, vó, tia, mãe, estudante, namorada, esposa, amante, funcionária… mas o mais importante é que somos mulheres, estamos cansadas e devíamos estar unidas. A união nos fortalece, a divisão dissipa nossa força como conjunto.

E era só isso que eu estava pensando pro ano que vem, que a gente se atacasse menos e se ajudasse mais, fosse mais às ruas porque acho mesmo que o caminho está aberto.

Feliz ano novo e feliz nova vida, mulheres, suas lindas.

 

25nov2015---marcela-nogueira-aluna-da-ee-fernao-dias-sao-paulo-participou-da-ocupacao-da-escola-e-de-protestos-contra-a-reorganizacao-escolar-de-sp-e-fechamento-de-escolas-1449682301753_1024x768

ps: a foto do post foi escolhida por mim como uma homenagem do coração a  Marcela, mulher, estudante, negra e minha musa absoluta de 2015. que seu 2016 seja foda como você, garota.

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *