O fim daquela história

Levantou-se devagar, cuidando para mover-se de forma tão silenciosa quanto possível.  A cama rangeu de leve. Prendeu a respiração quando ela se virou, resmungando vagamente palavras desconexas no meio do sono.

O quarto parecia abafado, pesado.

O sol penetrava pelas frestas da persiana, fazendo desenhos sobre o corpo estirado na cama. Já em pé, deixou-se observá-la por alguns instantes. Ainda se espantava de como a beleza dela não o comovia mais . Era linda, sem sombra de dúvida. Mais linda ainda naquele sono abandonado, boca, cílios, maçãs do rosto. As redondezas do corpo solto na cama. Mas o olhar que a percorria era distante como o de um marchand avaliando uma peça rara.

Voltou-se e caminhou até a porta. Girou o trinco com vagar e saiu, pisando o frio dos ladrilhos de cerâmica.

Finalmente.

Estava indo embora.

Finalmente.

O portão do pátio logo à frente.

O chinelo. A bolsa.

Acelerou o passo.

a-porta-entreaberta

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