Ele talvez possa estar a fim de você


Eu tenho uma amiga que é essa pessoa: a pessoa anti “Ele Apenas Não Está A Fim de Você”. Queria contar um pouquinho dela.

Mas antes era bom dar uma recapitulada: o livro, esse aí citado acima, é um livro de tese. A tese do livro é a seguinte: todo homem que está a fim de uma mulher vai fazer o possível para ir atrás dela. Vai matar trabalho, vai pegar ônibus de outro estado, vai conseguir telefone, endereço, vai mandar flores…. Enfim, vai fazê-la saber que está a fim. Caso você, mulher, saia com um cara e ele não faça nenhuma dessas coisas em um período curto de tempo, bem…. Ele apenas não está a fim de você. É isso. Simples assim. Não adianta insistir, ele apenas….

EleNãoEstáAFim

Assim é a tese. E nessa ordem: não é uma pessoa a fim de outra pessoa (essa tese, inclusive e evidentemente, não foi pensada nem funciona para relacionamentos entre pessoas do mesmo gênero.) É um homem que está (ou não está) a fim de uma mulher. E isso se define em um encontro ou dois. À mulher resta, portanto, exibir seu desempenho máximo, mostrar todos os seus truques, encantá-lo da melhor forma possível, porque…. ali tudo se decidirá. Se você fisgar o rapaz (estou tentando não rir e não soar como uma tia Cornélia do começo do século, mas o tema não ajuda), ele vai dar sinal. Vai aparecer. Vai mandar uma mensagem, um torpedo, um uatzáp, um pombo-correio. Flores ou um presunto da Virginia. Você vai saber. Ele está a fim de você. Se não, amiga, recolha as armas, as purpurinas, os saltos-agulha, as cintas-ligas: não vai rolar. Ele não ficou a fim.

A antítese é essa minha amiga. Vamos chamá-la de Babi. Essa moça faz tudo ao contrário. Os escritores do livro iam balançar a cabeça, desanimados, caso a conhecessem. Imaginem vocês que ela é do tipo que vai atrás. Se interessou? Babi vai lá. Manda mensagem. Entabula uma conversa por inbox. Combina um chope, quem sabe um cinema. Ah, não vai dar? De repente outro dia. Quem sabe. Tá de bobeira? Por que não ligar pro Fulaninho, com quem saiu uma vez no ano passado? No ano passado não rolou. Mas e hoje? A vida anda, junto com a fila. Bora conferir.

Minha amiga nunca pensa que “ele apenas não”…. Ela na verdade paga pra ver. Vai lá saber. Abre espaço pro acaso. Tudo pode acontecer, inclusive nada, já dizia o ditado. Mas ela é da filosofia de que do chão não se passa, o “não” você já tem. Dói um pouquinho no ego, se o cara disser não? Ah, mas tão pouco. Afinal, a vida é essa, não é mesmo? Vida que segue. Pra gente, pra eles. E, com esse olhar, já ficou com muita gente que a dupla de escritores de “Ele apenas” teria descartado de cara. Gente que inclusive deu bolo no primeiro encontro, por motivos variados. Que disse que ia ligar e não ligou. Que ia passar no samba e acabou não indo. O caso é que, muitas vezes, há motivo de sobra pras coisas não terem acontecido como planejado. E outras, o cara é que tava inseguro. Ou com problemas. Ou enrolado com um rabo de história mal-resolvida. Quem decidiu mesmo que ao homem cabia fazer o movimento, e à mulher apenas esperar? A gente não tá no século XXI? Já na segunda década? Isso não era pra ter acabado em algum momento lá atrás? As mulheres não conquistaram tanta coisa, como é que ainda se deixam enredar nesses roteiros bestas, chapados, antigos?

Babi hoje tá namorando um cara que conheceu há tempos. Não sabia dele, mandou mensagem inbox. Acabou chamando prum chope. Deu liga, rolou e estão eles juntinhos. Mas podia também não ter rolado, com já aconteceu muitas vezes. Ou podia ter sido apenas uma saída e nada mais. Quem se importa? A questão é que ela vai lá. Faz o movimento. Cutuca pra ver. Pode ser, pode não ser. Mas quem saberá?

Ah, sim, contrapõe você, tem caras que se incomodam com isso. Que acham que a mulher tem mesmo que esperar que o movimento parta deles. Mas tem certeza que é com esses caras que você quer ter alguma coisa?

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4 ideias sobre “Ele talvez possa estar a fim de você

  1. Adorei o texto.
    Sou dessas que também cutuca pra ver, mas confesso que estou cansando um pouco disso e pensando que “quem quer mesmo vai atrás”. Claro, já deu certo comigo, mas tem hora que ficar só atrás cansa. O que vejo acontecer muito é um joguinho de “quem tá menos interessado”: os caras começam te dando a maior moral, levantam sua bola, vc jura que eles tão a fim, vc fica toda-toda, mas depois, quando vc vai atrás pra confirmar ou repetir a dose, começam as desculpinhas, os imprevistos e o gelo. Ora vai, ora vem. Pode ser insegurança, rolo mal resolvido etc… mas faz a gente perder vontade de tentar de novo.
    Pior: e quando vc tá caidinha por um desses, como faz? Aí não dói pouca coisa, não… qualquer tentativa frustrada é um soco no estômago. Não sei lidar. Nisso a gente também precisa evoluir =\

    • Claudia, esse texto não traz resposta nenhuma, acho. A vida vivida e ralada é mesmo complicada. Mas acredito mesmo que não tem regra pré-estabelecida, e que não existem “os homens”, existem homens. Nada garante coisa nenhuma, nem prum lado, nem pro outro. Ou seja, não é que vá ser: mas vai que. Eu só rejeito mesmo é o manualzinho do “Ele apenas não está….”. Aí eu discordo de verdade. Talvez esteja e o fato de não ter correspondido ao comportamento preconizado pelo manual não quer dizer nada. Mas, é claro, talvez não. 😉

  2. Adorei o texto e também gostei do comentário da Cláudia. Tem época que a gente tá a fim dessa “briga boa”, chamando assim porque o ego tem que tá em ordem pra entrar nessa brincadeira. Já tive cada fase ruim… Ufa, inda bem que passou. 🙂
    Beijão,
    Fernanda
    PS: se eu pudesse ter uma irmã mais velha queria que fosse igual você <3

    • Que bom que gostou, Fernanda. É isso, tem hora que sim, tem hora que não, tem hora que mais ou menos. Mas a questão é essa: bora largar os manuais e viver a vida, né? Mesmo que agora seja hora de beber um chocolate com leite morninho e de se enrolar na coberta, porque não tá dando. A questão é não se prender a etiquetas estranhas e desnecessárias. Beijo! 🙂

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