Uma Dose de Transgressão

Por Monique Prada*, Biscate Convidada

Não é por que você é puta que precisa se vestir como puta, agir como puta, falar como puta.”

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De pleno acordo. No entanto, não é por que você é puta que não pode agir como uma, vestir-se como uma, falar como uma, em busca de performar uma respeitabilidade burguesa que em verdade não é conveniente a mulher alguma, menos ainda às putas. O esforço por performar essa respeitabilidade é, no fim das contas, um esforço para manutenção do sistema, um modo de reforçar o estigma.

Eu não preciso usar terninho e sapatos baixos pra provar que sou inteligente, articulada e competente. Não preciso esconder minhas fotos ousadas pra te dizer: no meu corpo só toca quem eu quiser, quando eu quiser. Não preciso esconder que sou uma trabalhadora sexual em lugares ditos respeitáveis por que também eu sou uma pessoa respeitável e conheço os comportamentos adequados para cada espaço.

Dizer que o comprimento das minhas saias é inadequado para a minha idade nada mais é que reforçar o viés machista e etarista de nossa sociedade patriarcal, para a qual mulheres só servem se estão em idade reprodutiva, e só podem exercer sua sensualidade até ali. Etarismo é uma face do machismo seguidamente usado para atacar Cristina Kirchner ( http://www.midiamax.com.br/…/844926-presidente-do-uruguai-d… ) e outras mulheres que ocupam o poder, e nada mais é que um meio de dizer-nos qual é o “nosso lugar”. Mas nós, mulheres, já dizemos há tempos: lugar de mulher é onde ela quiser. E nós, putas, que há tempos já ocupamos mais do que esquinas, reforçamos: o lugar da puta é, sim, onde ela quiser.

Por uma dose de transgressão na vida.

10429437_1639299509627620_3154711491717519962_n* Monique Prada por ela mesma: “escrevo e faço amor a noite toda”

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