Ângulos

Por Renata Corrêa, Biscate Convidada

Uma amiga muito querida e que eu admiro muito postou uma foto nas redes sociais onde ela estava em um “ângulo ruim”. Mas ela postou mesmo assim, pois aquela foto tinha um valor maior para ela – foi a filha pequena que tinha fotografado pela primeira vez, o dia estava lindo, elas faziam um piquinique num gramado de frente para o mar. Estar bonita ou não era a menor das preocupações ali. Brincamos um pouco sobre a foto no inbox, onde ela aparecia descabelada, sem make e com uma roupa confortável sem nenhum frufru.

Fiquei pensando em como a necessidade de “parecer bem” nos aprisiona e nos impede de viver plenamente as nossas vidas.

Ninguém é obrigada a ser bonita. Ser bonita é construção social. Eu entendo que muitas mulheres usem o discurso da beleza como empoderamento. E cara, isso é muito legal.

Mas não serve para todas. Muitas de nós não vamos querer nos preocupar com isso. Em querer ser bonita. Estar gata. A ser a “melhor versão de si mesma”. Esse discurso pode ser muito violento.

Eu não nasci para ser agradável aos olhos de ninguém, para ser aprovada por ninguém, para despertar o desejo de ninguém. Isso faz com que muitas mulheres acordem todos os dias e vão dormir se achando um lixo.

Meu corpo não é peça de decoração. Ele serve para muitas outras coisas nas quais a tal beleza não participa. Então porque a gente ainda pensa em beleza como o valor mais importante quando o assunto é ser mulher?

renata-corrc3aaa1* Renata Corrêa é tijucana, fotógrafa sem câmera, desenhista desistente, roterista praticante e feminista. Já fez livro pela internet, casou pela internet, fez amigos pela internet, compras pela internet, mas agora tá preferindo viver um pouquinho mais offline. Saiba mais dela no seu blog ou no seu tuíter @letrapreta.

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