Mordi a língua [2]

Por Juliana Lins, Biscate Convidada

Há coisa de um ano, escrevi o texto-declaração “Mordi a Língua” aqui nesse Biscate. Falava desses pontos de virada no roteiro das nossas vidas que pegam a gente de surpresa, fazem uma confusão na cabeça, dão um medão de sentir, mas que são uma delícia de viver.

Há coisa de um ano, eu mordo a língua quase todos os dias.

É um sem fim de bom dias <3 e boas noites <3, um mundo de corações e um monte de descobertas. Que delícia, eu não lembrava, ocupar o mundo do outro e deixar-se ocupar por ele. Embaralhar as manias… Fazer planos juntos. Contar e trocar o dia a dia.

É de uma intensidade esse tal de bem-querer. Essa vontade que dá e não passa. Um tantão de sentimento que não cabia aqui dentro naquele momento, e que continua não cabendo agora. Às vezes transborda.

E é difícil também.

Primeiro eu achei que não ia dar conta (às vezes ainda acho). Eu dizia sem disfarçar que: olha, não sei namorar. Como quem pergunta: tem certeza? Uma frase estranha pra um começo né? Mas queria dizer também (e talvez eu não tenha dito) que eu quero descobrir junto. Me ensina? Vamos nessa? Eu topo o desafio!

E quando digo que “não sei” já é também um pedido de desculpas pelas tantas besteiras que direi ou farei nesse nosso caminhar de mãos dadas.

Caminhando se faz caminho. E achei por bem pedir também: chegue de mansinho, devagarinho, como diria Martinho. Mas quem disse que eu sei mergulhar de pouquinho? Foi só pedir e morder a língua de novo.

Coisas que aprendi juntinho avec toi e que, sei, ainda pode mudar.

Eu sou samba, ele é bossa.

Ele canta, eu danço até na fossa.

Ele é fogo, eu sou ar

Ele é ninja, eu sou devagar

Eu sou texto, ele é melodia

Eu sou Pernambuco, ele Bahia

Ele é par, eu sou impar.

Ele é piscina, eu sou mar.

E a gente é tanta coisa a dois….

A gente é festa, manif, carnaval

A gente é amigos, filhos e tal.

A gente é sempre muito.

A gente é um sem fim agora junto.

Um dia ele pediu: escreve a letra de uma música? Eu não sei fazer isso. Sabe sim. Daí que aquele texto virou melodia. Um samba bossanoveado que é também nossa cria.

P.S. Trilha original do post: “Como Diria Martinho”, de JL e FM

Ju_foto*Juliana é especialista em ouvir conversas alheias. A partir delas inventa histórias, cria personagens e escreve textos pra tv, cinema e livros. Tem dois filhos. Um dia ainda planta uma árvore.

 

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