O Último Demônio

Exposição de Raquel Stanick

Exposição de Raquel Stanick

Não sei mais escrever histórias de esperança. Muito menos de acontecimentos alegres. É que cantei demais naqueles dias em que quem sabia fazia a hora, não esperava acontecer. E talvez, apenas talvez, a nossa hora tenha passado enquanto estávamos caminhando.

Ainda acordo de ressaca, sentindo falta dos afetos, que de comum nada tinham, e que brindavam conosco os dias e as noites, em viagens, palavras e encontros, reais e imaginários. Não há mais clima, estamos todos tensos e temos Netflix.

Teorizamos nossas verdades achando que alguém as compraria. Algum dia. Estamos sendo pagos com ódio e medo dos que perderam-se antes de nós. Todos, absolutamente todos, presos na mesma teia de ilusões, esperando morrer ou matar. Talvez essa seja a ressaca.

Talvez melhore a dor de cabeça, se tivermos coca-cola em jejum. Se eu me iludir um pouco mais, talvez dê para aguentar a terra plana e o abismo depois do mar. Talvez eu pare de beber porque ainda somos amigos. E biscates. Talvez, assim, consigamos sobreviver aos encontros e despedidas. Talvez.

Monto um brechó na ilusão de que foi o peso em alguma de nossas tantas viagens. Mais a sobrecarga do tempo. Vendo, troco e negocio em nome da minha negação. Você diz que eu estou fugindo, eu afirmo novos ares. E agora? Amores ou amizades?

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Uma ideia sobre “O Último Demônio

  1. a hora sempre passa enquanto caminhamos. dói reconhecer isso mas ajuda a saber quando deixar as estradas e descansar no acostamento. depois, pode-se seguir. pro mesmo lado. ou não.

    amei estar de volta pra estar mais com você.

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