Que Seja Leve

desejo

As coisas leves deveriam permanecer assim. Pairando sobre nossos olhos. Sem culpa. Sem porém. Apenas, sendo. As coisas boas deveriam flutuar sobre nossas almas, inundar os sentidos, passear pelo corpo, transbordar pelos poros. Assim, deveriam grudar nas nossas pernas, ajudar na caminhada, dar sentido aos dias cinzas e as noites sem lua. Assim, sem mais. Sem muitas palavras para não tentar dar nome para o que não se chama . Para o que não se reduz. Para o que não temos resposta.

Prazer. Lábios abertos. Seu corpo no meu. Nossos gozos, nossos desejos, vermelhos. Mergulhos, cachoeira, água farta, força da natureza. Desvio dos caminhos traçados, oceano de nadar de braços abertos sem porto de chegada. Sem começo nem fim. Latência, pulso que ilumina a escuridão dos olhos  fechados. Assim, deveria. Sem medo dos temporais, confiando na leveza que só o desejo degustado com atenção e cuidado pode nos trazer para os dias que vem.
Confio.
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