Cigana

Beija-me os olhos, meu amor. Faz-me adormecer. Meu corpo, saciado de teu corpo, encanta-se no perfume da tua presença. Beija-me as pernas, abertas para a vida que vem. Lambe-me, enquanto desfruto. Meus medos caídos das árvores que plantei no jardim de outrora. Maduros. Mastigo-os no furor da língua. Felpudos, carne entre os dentes. Líquido escorrendo por entre os dedos. Degusto cada pedaço, semente, germino. Estou pronta.

Beija-me a boca. Devagar, por cada sentença não dita. Coloca a língua leve, a me penetrar os lábios. Toma-me. Escorre água pelo meus seios, suor pelas minhas entranhas. Percorre meus pelos, sussurra-me aos ouvidos gemidos trêmulos de nós. Derrama-me. Faz colo nos meus ombros nus. Cola teus quadris nos meus, femininos, textura, gosto. Gosto. Encaixa-me em ti, vermelha, ardendo, presente em cada toque que se faz novelo. Deito-me inteira nas tuas mãos abertas. Contorna meu sexo pungente pela tua saliva. Morde-me. Minhas costas eretas a espera do teu arrepio.

Ecoa, é madrugada, a lua banha nossos corpos estirados de espanto. Despe-me, a alma que guardo nas entrelinhas. Aguça-me a poesia. Desagua teu gozo em mim, e tanto, torpor. Enamora-me, mais, à espreita dos grandes saltos. Salto. Cachoeira, rio cheio, corredeira. Lagoa calma depois da chuva. Mergulho, escuro, profundo, revelação muda de um lugar que ainda vem.

Penetra-me, de novo, cigana. Sou tua.

 A imagem pode conter: nuvem, céu, oceano, atividades ao ar livre, água e natureza
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