Para Aline

Eu gosto quando ela segura na minha mão. E ela segura sempre. Firme. Apertado. Todos os dedos sendo tocados pela presença daquela outra mão, junto. Ela, que não é de muitas palavras. O amor para ela se demonstra assim, nas miudezas do cotidiano . Nos gestos. Pequenos. Sutis. Imensos.  No que só pode ser compreendido com o tempo de quem não tem pressa de ir embora.

Demorei pra entender como ela gostava. Eu, tão acostumada aos gestos exagerados, aprendo com ela a delicadeza dos não ditos. Do olhar que ela tem só para mim, sempre que eu não presto atenção e ela me vê. Esse tanto que não se exacerba, porque não precisa. Porque apenas existe, sem alegorias ou metáforas.
Nunca me senti tão segura como quando a mão dela aperta a minha, assim, antes de dormir. Penso que ela está ali, toda, sem faltar nenhum pedaço. A noite adentra, e ela está comigo. Minha solidão se abranda, e eu consigo deixar-me levar pelo que não sei. A corda firme me mostra que é possível voltar, sempre nova, para a mesma casa. Ela me ensina que a permanência é poesia, e eu penso que poderia ficar pra sempre ali, com as mãos junto as dela. Em silêncio. Espalhada pelo nosso mundo que se faz de tudo que me escapa, e ela me devolve em sorrisos frescos no nascer do dia. Porque, como diria Manoel de Barros, no achamento do chão também foram descobertas as origens do voo.
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