Esse tempo presente

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É tempo de plantar

Baixinho, pra dentro, sem alarde

É tempo de deixar escorrer o rio

De transbordar pelas margens

E sonhar com flor

 

É tempo manso, sorrateiro, arredio

Da chuva que se derrama escandalosa

Das poças de lama nos pés

Do teu amor batendo na janela

E crescendo por entre as frestas, portas fechadas

Por todos os cômodos escuros

Por todos os campos vastos

Por todas as perguntas sem resposta

 

É tempo de trovão, clarão, braveza do céu fevereiro

De acalentar as rachaduras por baixo da pele

De festejar os ventos desavisados

De sorrir para a desordem nos sentidos, latentes,

Procurando caminhos de costurar a terra

 

É tempo de amor, bonita

De mãos dadas na memória do corpo

De gozo na memória do corpo

De desejo na memória do corpo

De encontro nas distâncias que somem quanto te penso,

Quanto te sinto,

Quando te vejo no inverso de mim.

 

Revoluciono-me,

Em todas as hipóteses que já joguei fora

E em todas as certezas que já não tenho mais

Em todos os escuros que me percorrem

E me contam que o medo

pode ser um impulso,

para dentro de mim.

 

Teu nome brilha

E eu acredito.

Acredito.

Desenho teu nome

Um par de asas

Um coração com flores

e um caminho até o mar.

 

Assim te espero.

E eu sei

Que você chega

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