Quem beija a boca do meu filho, a minha adoça

Chorei muito vendo esse vídeo.

Um tempo atrás, eu estava na Arezzo do shopping Eldorado, experimentando sapatos, quando o Mateus, meu filho adolescente, chegou pra me encontrar. Quando saímos da loja, ele me contou que, ao entrar, ainda na porta, notou que todos os vendedores e o que acreditamos ser o gerente se puseram alertas. O jeito como o gerente olhou pra ele foi agressivo. No susto, ele apenas disse “minha mãe esta ali” e apontou pra mim. E aí sim se sentiu a vontade pra entrar, com os olhares sobre ele até confirmarem que a mãe daquele mocinho preto de black estava mesmo ali, com vistas a gastar dinheiro naquela loja que, sabemos, não é barata.

Eu nada notei, confesso. Estava conversando com a moça que me atendia e nem vi quando ele entrou. Não houve agressão verbal, não houve agressão física. Houve a percepção pessoal dele, que pode ser tão concreta e contundente quanto um ato ofensivo. Houve a percepção porque quem sofre racismo sabe quando acontece. Apenas sabe. Mesmo quando aquele que praticou não tenha aberto a boca.

Conversamos sobre isso depois (e continuamos conversando até hoje, inclusive porque ele tinha acabado de passar por outra situação semelhante, quando foi extremamente mal atendido num quiosque de açaí. Duas, minha gente, em menos de meia hora!).

O que posso dizer é que o depoimento de um dos pais deste vídeo que começa o post (esse educador maravilhoso), dizendo que só de nomear racismo para definir o que o filho viveu já doi, é a mais pura verdade.

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