Tá foda…

Tão difícil escrever… Tem sido assim: começa, apaga, rascunha, apaga, soletra, borracha, não sei. E volta para a página em branco, para o tempo em branco, para a ideia vazia. Tem sido assim e me pergunto e pergunto e pergunto: Por que?

Estamos todos fodidos. Mas, dito assim, fodidos em jeito negativo, “desexplica”. Porque no fundo no fundo estamos é não fodendo. Não há mais a foda, como a arte da troca, dos corpos, das salivas, dos sussurros, dos gemidos, dos palavrões em boa hora, dos suores – aaaaaahhhhh, os suores…. – das mãos nos seios, na bunda, no caralho, na buceta, no rego. Dos cheiros, do gosto de porra, do gosto de gozo, do melecado, do encharcado, dos lábios, do lábio…. dos láaaabios. A foda, sabemos, é sempre a primeira a sofrer: por causa da importância crucial em se controlar os corpos, querem sempre e sempre fiscalizar a foda. E surgem fiscais de sexo, de buracos, de cus, de xoxotas, de paus: sempre com pedras.

A faceta mais nociva dos autoritarismos é esta: o controle das fodas. Não, não de trata de imaginar que um mundo onde haja gente trepando ao ar livre em esquinas do mundo. Se trata, sim e sim, de dizer que a foda é tão humanamente importante… Perfume, sabor, dor, sim. É mais fácil colocar a foda como pecado. Porque assim controlamos a única coisa que, de fato, é nossa: o corpo. E podemos, então, garantir a ordem das coisas, o domínio das coisas, as coisas outras.

Não é a toa… nada é. Não falo de sexo, falo de fodas.

Um governo de gente branca, masculina, de ternos escuros. Que fode às escondidas. Que usa meias pretas enquanto trepa. E que lavam as mãos ato contínuo ao esporro, higiene na hora das trocas…. A imagem é esta…

E tem sido difícil escrever. Cada vez mais… porque faltam desesperadamente boas fodas….

 

 

 

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