Sobre Klaus Saphire

Paulistana, 26. Designer, feminista, anarchoqueer, genderfluid/não-binária, PANtástica, pirigótica new wave e aspirante a derby grrrl que quer sambar de patins na cara da sociedade.

Celebremos!

“Nem de exatas, nem de humanas, sou de trouxas”;

Eu o/

Eu o/

Se ser trouxa é demonstrar o que sente, sim, sou trouxa. Convicta. Daquelas que posta letras de pagode ou de sertanejo dos anos 90 na TL dedicadas ao(s) seu(s) amor(es). E nem é porque eu acredito em romance, em fórmulas perfeitas de amar ou de ser feliz, como na já meio batida (mas que ainda está longe de falir) vibe hollywoodiana. É porque passei bastante tempo sem celebrar – ainda que nas pequenas cafonices – o fato do meu coração estar aquecido pela presença de outro, assim, mais de pertinho. Eu já fui do time que ficava de bode quando pipocavam imagens de casalzinho feliz e pans.

A real é que faz pouquíssimo tempo que percebi que não me considerava merecedora de amor. Que eu não tinha motivos para ficar contente com algo que não era pra mim, porque na listinha padronizada do que é ser amável, eu nunca tive nenhum dos itens. Ou tentava mimetizá-los.

Nem preciso dizer o quanto falhei miseravelmente, né?

Por que dar afeto é ser trouxa? Por que comemorar momentos felizes (ou até de grudezinho) com quem você ama é indesejável? Por que isso ainda é visto como fraqueza, como ser bobo ou inconveniente, quando todos os envolvidos estão ok com a situação? Ou então, porque externalizar de alguma maneira seus sentimentos, mesmo que não sejam correspondidos, é tão zoado?

Sei lá. Talvez, a gente tenha meio que desaprendido o bem que faz um ato de carinho, tanto para quem dá quanto para quem recebe. Vivemos num mundo em que manifestações de bem querer parecem perda de tempo ou coisa de quem não tem nada melhor para fazer. Os lances que “dão certo” são os que encontram dificuldades. São os cheios de joguinhos, de esperar o outro te procurar, de não escancarar muito o que você está sentindo, porque senão não dão valor.

Amor como moeda de troca. Amor mercadológico.

Se ser trouxa é transbordar de amor, a ponto de não caber no peito, olha eu aqui!

Só não rasguem minha carteirinha de biscate, tá? Vai ter biscatagi trouxa sim.

Vai ter biscate celebrando o amor sim!

Façamos as pazes

Olá, lindeza!

Depois de ANOS, tomando coragem de mostrar a minha própria barriga. Barriga que não precisa ser chapada ou "negativa" para ser linda.

Depois de ANOS, tomando coragem de mostrar a minha própria barriga. Barriga que não precisa ser chapada ou “negativa” para ser linda.

Faz um tempão que não paro uns minutinhos pra te dar atenção. E justo você, que me carrega pra lá e pra cá todos os dias, sem reclamar.

Ultimamente, tenho pensado bastante em quantas coisas boas você me proporciona. É com você que sinto novos sabores e vejo a grandeza ~ou a pequeneza~ de tudo que existe. É graças a você que sinto o frescor de uma tarde de outono através do vento tocando a minha pele. Com você me movimento e chego onde quero pelos meus próprios pés. Com você tenho prazer. E vem de você o que me mantém viva e forte

São tantas essas coisas boas que me dá, que não entendo por que comecei a ser hostil contigo. Por que por tanto tempo te odiei. Por que quis tanto que você fosse outro, muitas vezes irreal.
Não deixarei que Hollywood, que as capas de revista, que o instagram de fulanx, cicranx ou beltranx  digam que você é errado ou que você não é belo. Nunca mais vou permitir que o apontar de dedos e que as réguas alheias determinem o quanto você é digno de bem estar e de estar à mostra.

Que cada dobra, estria, celulite e pelo que você carrega sejam contemplados por mim como uma parte linda do que sou. Que eu possa te enfeitar como quero. Que eu deixe a minha criatividade para indumentárias fluir (porque pra mim, roupa binária e pré-determinada/determinante é uma coisa muito chata). Que eu te movimente, te sinta, te toque e te deixe ser tocado onde você pedir…

Não vai ser mais assim, corpo meu. Façamos as pazes. Porque hoje te vejo com o carinho e respeito que você(nós) merece(mos).

Me desculpa?

Beijos de rainha*

tumblr_mv6y3hGgrg1ql5ioko1_400

“Foi muito bom te encontrar, Senhora”, disse o jovem submisso e masoquista.

Ela ainda estava se acostumando com a megalomania. Com a ambição. Com o desejo de controle. Com o sadismo físico e emocional que carrega dentro de si. Com a vontade de ser cultuada, venerada. Com a vassalagem que agora lhe oferecem, após uma vida toda de prazeres negados e de doar-se sem a mínima reciprocidade…

Ela e o rapaz se conheceram, fizeram seus acordos, falaram sobre seus limites (e isso serve para qualquer relação, né?). E com o tempo, com uma confiança mútua surgindo, ele se tornou em cena exatamente TUDO que ela queria:

– tapete;
– mesa;
– capacho;
– brinquedo;

E ele a servia com toda alegria, devoção e tesão.

“A Senhora mistura força com ternura”
“Quem lhe deu permissão para falar?”

Tudo isso era muito gostoso, mas a deixava confusa. Se engana bastante quem pensa que o **top está sempre seguro, que acerta sempre, que ele é sempre superior e imune às traquinagens da dúvida. O top é humano e humanos erram/cometem gafes e a única coisa que nascem sabendo fazer é chorar. Fora a responsabilidade gigantesca que é cuidar de alguém que lhe entregou seu corpo…

Ele pede permissão para gozar. Às vezes ela deixa, noutras não porque nem sempre o capacho merece. Acabam as sessões e começam os beijos. Ora tímidos, ora ardentes. Desviantes. Não normativos. Nada convencionais, mas repletos de intensidade.

Beijos de Rainha.

“Foi muito bom te encontrar, Senhora”, disse ela para a rainha insaciável, mimada, egocêntrica, sádica, carrasca, visceral e transformadora que vive dentro dela.

* Texto em comemoração ao 24/7, dia internacional do BDSM.
** Top: pessoa que numa cena bdsm assume a posição de comando, podendo ser dominador ou não, dentro dos limites do bottom (quem se submete às ações na cena).

Detox

Não, não irei falar sobre esses sucos verdes, que estão bem na moda. Alguns deles são bem gostosos e eu até tomo por isso (porque não sei se desintoxicam mesmo ou pra que eles de fato servem). Vou falar sobre algumas atitudes que às vezes, se fazem muito necessárias. Sobretudo para quem milita ou precisa de um tempinho para organizar as ideias, especialmente nas redes sociais.

sucos-detox-sucos-receitas-de-sucos

É. Tô na fase do detox. Mas um “detox pessoal”, sabem? É uma coisa que no fundo eu não gostaria de precisar fazer na vida, mas que não dá pra ficar sem. A internet as vezes se transforma num ringue onde algumas pessoas competem para saber quem tem o ego mais inflado, usando uma deturpadíssima noção que possuem do que é liberdade de expressão para propagarem suas falácias, que quase sempre são carregadas de preconceitos diversos.

E o mais legal de tudo isso é que essa galera domina muitíssimo bem vários recursos de linguagem, que fazem com que qualquer bobagem se pareça com uma opinião consistente, bem articulada e sensata. O grande segredo da coisa toda é enumerar, passar para tópicos, usar palavrinhas pomposas e “acadêmicas”. Te deixam confusa. Você aparentemente precisa parar para pensar – ou para ler – minuciosamente antes de elaborar uma resposta. Enquanto isso, vem os likes. Os shares. Os números. O alimento que aquele ego sobre o qual falei acima tanto precisa para não morrer.

Acham que tô falando sobre os reacionários, conservadores, trolls, coxinhas e afins? Antes fosse, porque eles são reconhecidos muito mais facilmente. É só dar unfollow né? Pronto. Só que não. Eu falo de gente que até bem pouco tempo atrás, lutava lado a lado comigo, porém, que adota justamente o modus operandi daqueles que diz combater (odeio essa palavra, é que não encontrei outra melhor). Gente que dizia acreditar no mesmo que eu. Gente que ao longo do tempo, aprendi a respeitar, mesmo em meio à inúmeras divergências teóricas/ideológicas.

O que quis dizer hoje aqui é bem simples (e doloroso, porque sou dessas): tô me desentoxicando dessas pessoas. Ou melhor, desses discursos contaminados. Porque me faz mal, percebem? Não vim ao mundo para ser vaca de presépio, sem ser crítica e autocrítica. Sou aprendente e aprendiz nesse mundo gigante, que não gira ao redor do umbigo de ninguém. Não endosso discurso de ódio disfarçado de militância, venha de quem vier. Sororidade, esse conceito altamente questionável e seletivo não é pra mim. O patriarcado já caga regras demais na minha vida, acho que não preciso que feministas venham fazer o mesmo, certo?

Façam o que bem entenderem com minha carteirinha.

 

Ela

Desde aquele dia, não fui mais a mesma…

A iniciativa foi dela. Sem que eu esperasse – ou me desse conta do quanto queria – recebi o doce e forte toque dos seus lábios. Os meus, tímidos, aceitaram este encontro. E meu corpo já não estava mais sob controle.

Ela sabia disso. E assim, me fiz entregue…

Aliás, ela sabia tantas coisas sobre o meu corpo que parecia conhecê-lo há muito tempo. Cada carícia dela me mostrava o que, por muitos anos, neguei a mim mesma sentir. Ela me ajudou a descobrir não apenas desejos, mas também um pouco de quem realmente sou.

Desde aquele dia, o que sinto por ela é gostoso e conflitante. Gostoso porque flui, sem grandes esforços de ambas as partes. Conflitante porque ainda existem em mim barreiras que me impedem de dizer a ela o quanto a quero outra(s) vez(es). Algumas dessas barreiras, infelizmente, eu mesma coloco. Porque sou aquela pessoa toda errada que não lida tão bem assim com as próprias vontades…

Acho que tudo seria bem mais fácil e menos doloroso numa sociedade aceitasse e compreendesse que o desejo muitas vezes transcende gênero e sexo. Que não diminuísse ou colocasse em descrédito as bissexualidades. Que não fizesse com que em alguns momentos, eu e mais um monte de gente pensasse que sentir algo por outra mulher fosse menor/uma fase/ uma mera experimentação.

No mais, tô aqui ensaiando como dizer a ela o quanto gostaria de ter ela em meus braços denovo. E como agradecê-la por ela, sem saber, ter me tirado desse limbo que é a negação…

bw,kiss,lesbian,lips,photo,sensual-b06f167d090d52f01e1846d95aa58f06_h

O que espero para os próximos 8 de março?

Essa quinzena, lembramos o dia internacional da mulher do nosso jeitinho biscate: luta, celebração e inquietação, tudo junto, arfante e misturado…

 #nãomedeemflores #diainternacionaldamulher

Ontem, domingo, 8 de março. Dia internacional da mulher.

Moro nesta cidade grande que é São Paulo, com 3256326 de atos, eventos, debates acontecendo por todos os lados, para que a gente lembre (se bem que quem milita não se esquece) da importância desta data para as nossas lutas. Fiquei em casa, com o coração partido por não poder estar na rua, que era o que eu gostaria de fazer. Mas moro na periferia, longe do centro, longe de todo esse fervor. E meu pai doente e demandando cuidados me levou a passar boa parte da minha tarde ocupada com curativos e medicação.

Eis que depois vim pra internet, esse céu e inferno onde algumas pessoas sentem essa necessidade cabal de manifestar sua opinião sobre qualquer coisa. E por qualquer coisa, entendam aquilo que essas mesmas pessoas nunca viveram, nunca vão viver ou conhecer o bastante para dar pitacos, que às vezes elas defendem sem parar um minutinho sequer para refletir. Longe de mim, acreditar que só quem viveu determinada experiência pode opinar sobre ela.  Só que eu tenho essa coisa forte de respeitar as vivências dos outros. Certas vivências trazem delícias – e agruras – que só quem as teve sabe. E ser mulher numa sociedade machista como a nossa é para a maioria de nós, é uma luta quase diária.

Essa sou eu quando alguém diz que as mulheres reclamam demais...

Essa sou eu quando alguém diz que as mulheres reclamam demais, sendo que já têm “tudo”.

Pois bem. Nessa minha passada pela internet, vi um dos meus contatos do saite feice dizer que todas as chefes que ele teve na vida foram mulheres. E que a maior parte das colegas dele em Paris (sim, o moço estuda em Paris) eram mulheres. Até aí, legal né? Fiquei até feliz por isso. Aí, ele termina a fala dele com isso:

“Então parem de mimimi com o dia da mulher, nada tá tão difícil assim pra vcs. Comentários raivosos em 3,2,1…”

Ai, meu fiofó de asas.

Gente, por quê?

Queria pensar que foi ingenuidade do moço e que ele realmente não sabe quão discrepantes ainda são as condições de trabalho de homens e de mulheres. Ou que foi molecagem, sabe? O mocinho tá lá, no meio do inverno dos arredores da Sorbonne num dia de muito ócio, e aí ele queria atenção, esperando pelo menos uns comentários raivosos das feministas choronas e mimizentas que ele conhece…

Só que não.

Definitivamente não.

Quando se está bem do alto de uma posição privilegiada, é bem difícil desconstruir certas visões. O que o moço em questão expôs diz muito sobre ele, mas também muito sobre o quanto falta para que a gente realmente possa falar que existe igualdade efetiva entre homens e mulheres. Falta bastante. Tanto que as vezes o desânimo é inevitável.

Fiquei com vontade de ir lá registrar meu comentário raivoso. Porque a na verdade, para muitas de nós, o simples fato de sobreviver é um ato de resistência. Porque ao contrário do que algumas pessoas pensam e aí incluo o rapaz  branco, cis, hétero, de classe média e que pode estudar na França, tudo ainda é mais difícil pra gente. Ainda ganhamos menos. Ainda não temos pleno direito ao nosso próprio corpo. Ainda não temos representatividade forte na política, mesmo que sejamos a maioria da população de nosso país.

Diria a ele que ainda sofremos violência, discriminação e negligência pelo simples fato de sermos mulheres. Ainda exigem que estejamos sempre correspondendo a padrões estéticos que muitas vezes não se aplicam a boa parte de nós. Ainda somos julgadas como “essa é pra casar” e “essa é pra trepar”. Ainda dizem que não somos capazes de realizar certas tarefas porque somos “frágeis e pouco práticas”.

Bônus: ainda dizem que não podemos ser amigas umas das outras, porque somos traiçoeiras e não merecemos confiança. E ainda não podemos ocupar os espaços públicos na hora que quisermos, tendo companhia ou não, porque ainda existe a ideia de que mulher sozinha está disponível/pedindo para ser estuprada ou intimidada.

Eu poderia ir lá e enumerar muitas outras coisas que lembram o quão importante é a data de hoje, para todas nós. Mas adiantaria de quê? É só ele, o pobre moço que não entende por que as mulheres reclamam tanto (porque talvez pense que o mundo inteirinho é igual a Sorbonne e que todas as moças são exatamente iguais e têm as mesmas oportunidades do que as colegas dele de lá), que pensa assim? É claro que não. O mundo aqui fora não se resume às decepções (às vezes bem presumíveis) que tenho com as TLs alheias. Deletei o rapaz, problema resolvido. Mas e aí? O que muda pra mim e para as tantas outras companheiras que sofrem diariamente com a privação de tantos direitos?

Isto posto, fica aqui a minha esperança de que cada vez menos, o 8 de março seja entendido como um dia para dar rosas ou para fazer promoção de maquiagem ou de utensílios domésticos. Ou que seja um dia para que especialmente nós, mulheres militantes, sejamos julgadas e taxadas de choronas, mal amadas ou chatas pelo simples fato de não querermos ser tratadas como uma maçaroca homogênea, que basta ser um pouquinho paparicada (ou “homenageada”, a palavra fica a gosto do freguês) para que nos esqueçamos de todos os leões que matamos durante os outros 364 dias do ano…

Aprendiz de amor livre

Se a Cláudia de hoje pudesse trocar uma ideia com a Cláudia adolescente, ou mesmo com a Cláudia apática e rancorosa do ano passado, certamente ela diria:

“Você não faz ideia de quanta coisa seu coraçãozinho jovem vai viver em tão pouco tempo. Para de ser babaca e aproveita”.

ame

A sensação mais recorrente evah na vida desta que vos fala é a de aproveitar pouco o que sente. Sim, eu tenho um medo imenso de amar. Sim, sou uma bisca medrosa e já sofri demais. Vocês não fazem ideia de como fico absolutamente idiota quando me apaixono e acho que é por isso que evito envolvimentos mais profundos com as pessoas atualmente. Viro a pior companhia possível neste estado, perguntem a quem convive comigo.

Sambaram na minha cara tantas vezes por causa disso…

Eu acho que essa coisa toda vem da visão que construí do amor ao longo da minha existência. E ela é bem parecida com o que vendem pra gente como única forma de amor possível ou verdadeira. É a velha receita de bolo: você conhece alguém, se encanta e é recíproco. Aí vocês ficam, começam a namorar, tudo é lindo no começo e tals. Vem a rotina, tudo esfria e vira bosta. Termina. E lá vai você obrigatoriamente viver o luto e ficar na sofrência até que surja UM novo amor.

Por que tem que ser assim pra ser de verdade?

Nem todo mundo fica de luto quando um amor acaba (eu fiquei, mas isso é regra?). Tem amores que se transformam. Existem casais que ficam melhores depois que tudo acaba. E há pessoas que não encontram apenas um amor, inclusive, há quem encontre váaaaaaarios amores ao mesmo tempo.

Ficou confuso?

Bom, o que quis dizer com tudo isso é que enquanto o que vendem e ensinam como verdade única e possível são as relações monogâmicas – e quase sempre heteronormativas, diga-se de passagem – muita gente luta para desconstruir esse paradigma visando ter relações norteadas pela autonomia e pela liberdade.

Mas que liberdade é essa? É poder sair por ai pegando todo mundo, sem “compromisso”?

Olha, não necessariamente. Você pode sair por aí pegando todo mundo sem compromisso, não é crime. Mas relacionamentos envolvem uma série de outras questões, problemas e desafios. Numa relação não monogâmica, arrisco dizer que essas nuances todas podem ser multiplicadas pelo número de parceiros que se tem. São pessoas diferentes, com vivências diferentes. Cada uma com seu jeito de sentir. Complexo, né?

Para os homens, a não monogamia nunca foi exatamente uma novidade. A eles sempre foi permitido – e enaltecido – o direito ter muitas parceiras. Ainda hoje, a mulher que decide buscar uma relação livre não é vista com bons olhos pela nossa sociedade. Então, para uma mulher, a não monogamia pode significar e ao mesmo tempo exigir um nível de empoderamento e de autonomia muito grande. E ainda nem mencionei a pressuposição machista (especialmente nas relações heterossexuais) de que a moça que deseja se relacionar com várias pessoas está, na verdade, disponível. Como se ela não tivesse o direito de escolher com quem quer estar. Digo isso por experiência própria, mesmo que ela seja pouquinha.

Não acho que as pessoas não possam ser felizes inseridas nos modelo tradicional de relacionamento. No entanto, acredito que desconstruir o conceito do amor romântico pode sim fazer com que tenhamos vivências mais plenas em nossas relações. Tô aprendendo ainda. Tá difícil. Mas estou neste caminho pela minha própria vontade, porque não quero mais me destruir por conta de ideais que na maioria das vezes são inatingíveis.

Que o amor venha para me (nos) libertar.

*** Dois textos bem interessantes para quem deseja se aprofundar sobre o tema: aqui e aqui! 😉

Pequenos prazeres biscates: música

Essa quinzena, nas entrelinhas, tem gemidos baixinhos, suspiros, um tanto de saliva, arrepio na pele, sorriso largo, memórias e desejos. Vem com a gente, conhecer nossos pequenos prazeres biscates…

#PequenosPrazeres

música

Cerveja de trigo, petiscos, o gato dormindo no puff ao lado da mesa. Música. E a iluminação perfeita do seu apartamento, que deixa a sua barba ainda mais ruiva. E linda…

Tiro seus óculos. Você solta o meu cabelo curtíssimo, mas que insisto em prender. Eu já te disse que seu beijo é uma delícia e que eu poderia passar uma, duas, dez noites inteiras só sentindo o sabor dele? É. Seu beijo é quase uma transa, meus parabéns!

“Preparei uma coisinha pra nós”.

Não lembro de ter te contado quais eram minhas bandas favoritas. Mas você acertou em cheio nessa playlist: tem TUDO que amo nela. E que gostoso é dançar bem pertinho, sentindo a sua respiração e o calor do seu corpo. Corpos que, molhados, se misturam ao ritmo da música, numa dança que dura até o nascer do sol, quase sem pausa…

Encosto minha cabeça no seu peito sardento e adormeço com o gostoso cafuné que você me dá. Obrigada pelo fim de semana incrível que, a cada shuffle, me trará deliciosas lembranças…

It’s a match!!!

Tinder, esse safadjenho.

matchVocê sai de um relacionamento. “Curte” a fossa. Depois cai na noite e quer “passar o rodo”. Não que eu ache que com todo mundo seja necessariamente assim, mas comigo foi/tem sido (porque às vezes uma pseudo-fossa ainda vem tentar cortar o meu barato). E aí você faz um account no Tinder e com ele chega uma sensação meio maluca de ter “todo o poder em suas mãos”. Esse eu quero, esse eu não quero. Essa eu curto, essa eu não curto. 200, 300 combinações em alguns meses… Legal quando rola reciprocidade. Mais legal ainda quando o papo flui, porque eu sou dessas que se enche de tesão com inteligência/tagarelice interessante alheia.

Três anos mais novo. Grande merda né, somos praticamente da mesma geração. E diferença de idade é um “problema” que só existe na minha cabeça. Diz que não sabe porque faz engenharia, mas ajuda todo mundo da sala com sua sabedoria matemática. Posso chamá-lo de nerd descolado, porque ele não é tímido e tem umas tatuagens lindas. Adora indie rock e Tarantino <3. Olhos tão brilhantes e tão pretos. Óculos <3 . Papo maravilhoso. Bom humor. Pensamento bem para a esquerda. Poquíssimo/ nenhum pudor. Não me cobra carinho/compromisso/satisfação. Ele existe mesmo???

fodaceExiste. E se eu não tivesse respondido àquela mensagem à noite, nunca o teria conhecido. Se eu tivesse me deixado levar pelo preconceitos que criei com “relacionamentos” que começam pela internet, não saberia como seria legal viver algo assim com um cara tão diferente do que eu sempre acreditei que gostava. Aliás, nem bisca escrevente/ amiga das bisca tudo eu seria se não acreditasse que a tecnologia pode nos aproximar muito mais do que afastar, basta que saibamos exatamente o que queremos dela.

Daqui a pouco, presumo que geral vai cansar do Tinder e aí alguém vai criar outro app de “paquera”. Mas enquanto ele tá aí, por que não aproveitá-lo? A brincadeira pode ser beeeem boa, viu?

Quando eu mudei minha visão sobre sexo

Já fui dessas pessoas (sim, elas existem aos montes por aí) que acreditava jamais conseguir transar com alguém por quem eu não fosse, no mínimo, apaixonada. Não sei ao certo se isso foi fruto da educação essencialmente conservadora que tive, da minha baixa auto-estima ou se o sexo é tão introjetado em nossa sociedade como algo sujo e imoral, que ainda afeta boa parte das pessoas, especialmente mulheres. Contudo, não pretendo cagar regras ou trazer receitas prontas sobre como deixar de pensar assim, até porque não cabe a mim decidir nada sobre a vida de ninguém. Aqui, só falo por mim.

Sempre que eu ouvia amigos ou outras pessoas falando sobre suas vidas sexuais, eu meio que torcia o nariz ao saber que em boa parte das situações, predominava o sexo casual. Deixar-se levar pelo tesão, pelo calor do momento era algo que eu certamente não achava que “combinava” comigo. Só que, como para tudo na nossa existência, o que realmente conta é a experiência. É permitir-se viver algo que fuja da rotina quando se tem um momento oportuno.

E assim foi.

Sabe quando você sai de um relacionamento que já tinha chegado ao fim, mas que só você não se deu conta disso e o outro vem e põe um basta? Era assim que eu estava. E quando a carência vem, aquela carência de afeto, de carinho, de pele mesmo, nem o melhor dos passatempos consegue suprimir. É seu corpo que pede outro toque que não seja o seu próprio. Sua boca pede beijos. E sua imaginação acaba se transformando numa bomba atômica, graças aos seus hormônios, esses safadjenhos.

sex

Resolvi dizer sim e abracei uma oportunidade que veio do acaso… E foi bom. Bom demais, e não só para a pele. Foi libertador e libertar-se revigora, sabe?

Vejam bem: não estou dizendo que todo mundo deve fazer ou não isso. Insisto. Porque como falei logo ali em cima, cada um é cada um e felicidade não é receita de bolo (se bem que um bolinho de cenoura com cobertura de chocolate agora não seria nada mau, viu…). Mas por que não se deixar levar de vez em quando?

Definitivamente, para mim hoje: sexo é uma coisa, amor é outra. Eles são perfeitamente separáveis e podem conviver muito bem assim, cada um do seu jeitinho. Talvez, quando eles andam juntos, se complementam e fique bem bom. Mas aproveitar esses momentos carnais não mata nem te manda para o inferno. Eu acho…

Deixa eu te contar um segredo…

Olá!

Eu tava morrendo de saudades daqui e algum dia conto porque estive tão longe por tanto tempo. É muito bom voltar!
segredo_01

Mas, vamos lá: dentre as diversas vivências que tive enquanto não postava nada no BSC, uma delas foi me render e baixar o Secret (o tão polêmico app que chegou ao Brasil em maio deste ano e já deu bastante o que falar). E digo, sem medo de exagerar, que ele pode ser considerado uma verdadeira experiência antropológica por diversas razões que tentarei elucidar neste texto.

Não sei vocês, mas eu adoro um mistério. Isso vem desde a adolescência, quando eu gostava de escrever poemas e crônicas sem dizer quem eu era ou usando pseudônimos. Fiz muitos amigos assim. Meus autores favoritos também escrevem ou escreveram assim em algum momento de suas obras. E a minha sensação com o Secret foi mais ou menos essa, ainda mais quando eu via que o autor do segredo era algum amigo…

Basicamente, o app é conectado à sua conta do Facebook e assim como o Tinder, não posta nada no seu perfil. A diferença é que sua identidade não é revelada e apesar de muita gente duvidar desse “anonimato total” (eu inclusa), ainda não vi qualquer indício de como um usuário comum pode descobrir a identidade de quem posta algum segredo. E é aí que mora um perigo muito real para esses usuários, que podem ter sua intimidade exposta involuntariamente a qualquer momento.

E infelizmente, vi muita misoginia e machismo no aplicativo. Não foram poucas as fotos com meninas (muitas menores de idade) que tiveram a infelicidade de confiar em pessoas que não pensaram duas vezes antes de tornar este ato de intimidade um assunto público. Considerando que a maior parte de quem o utiliza é jovem, podemos notar o quanto nossa sociedade ainda corrobora para formar pessoas conservadoras, preconceituosas e violentas.

Toda vez que surge algo assim na minha “TL do Secret”, trato de denunciar e tive sucesso em várias das denúncias, o que demonstra que os desenvolvedores aparentemente têm se preocupado com tais questões, tratando de tirar do ar e banir quem exibe conteúdo de ódio ou inapropriado.

Ademais, o App tem sido muito divertido. Soube que tenho amigos que peidam e disfarçam em transportes públicos, que amam e não são correspondidos, que usam drogas, que querem ser ricos, que odeiam a faculdade, que queriam que a vida fosse um filme… Tudo sem imaginar de quem se trata.

É aí que está a graça.

Em tempo

Antes do post propriamente dito, quero propor uma rapidinha (ui!!!):

Pergunte a si mesmx quando foi a última vez em que dedicou um momento, um dia ou um pouco de tempo só para você?

Se as lembranças foram imediatas e boas, parabéns! Você é uma pessoa de sorte e que aproveita as oportunidades que esse universo cão nos oferece de vez em quando. E que a gente quase sempre deixa passar, seja lá por qual motivo.

(Tempo só para mim.)

Tá aí. Tem mudança que atinge a gente em cheio, né? Ainda mais quando a iniciativa da mudança não é nossa, propriamente dita… Aí o mundo acaba, tudo vira b*sta e você amaldiçoa o dia em que se deixou levar por x questão. Mas continua aí, com uma vida inteirinha passando diante dos seus olhos.images

Levanta-te e anda! (perdoem-me o trocadilho religioso, não pude evitar)

Porque é sério, a vida rola lá fora. Bem rápido. E você não precisa ter alguém que “te complete” para curtir esse processo que pode ser muito gostoso. Isso depende muito mais das suas escolhas e da sua vontade de experimentar o novo. Ou de voltar a apreciar aquilo que em algum momento da sua existência, você amava fazer.

Caminhe na praia, no parque ou pela cidade. Reveja seus amigos. Cante no chuveiro. Pare alguns minutos para observar a paisagem pela janela. Coloque em dia aquela lista de livros ou de filmes. Viaje pra longe ou sem sair do lugar. Experimente aquele prato tailandês esquisito. Adote um bichinho abandonado, que merece e precisa do seu amor. resumoFique perto daqueles queridos da sua família. Mude o visual. Aprenda a tocar um instrumento, a pintar ou um novo idioma. Olhe para dentro de você e se perceba.

Faça tudo. Só não pare no tempo, porque ele não vai parar para te esperar.

“Finding ways to stay solo…”

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...